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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Porque partos domiciliares não dão errado

Hoje tive a resposta para o que busco há tempos. Eu tinha muitas teorias, mas agora vieram as certezas.
Tive meu primogênito em julho de 2002 e desde então convivo neste meio. Isso também se deve ao fato de eu ser enfermeira e ter mais acesso a muitas pessoas relevantes no movimento.
Desde que comecei a observar estes profissionais, estas mulheres e as noticias, jamais tive a informação de que algum problema teria ocorrido em casa sem tempo e tecnologia suficientes para chegar ao hospital. Mesmo que estatisticamente fosse esperado, nunca ninguém morreu.
Certa vez uma amiga optou por um parto domiciliar. Ela tinha 3 cesáreas anteriores, apesar de uma gravidez completamente perfeita. Antes do inicio de seu trabalho de parto, foi ao hospital para ser avaliada pelo seu medico. Neste momento, já dentro da maternidade, sentiu dores no ombro, características de ruptura uterina, e foi operada às pressas e o bebê não sobreviveu.
Bom, este assunto é um tabu e divide as opiniões entre nós. Foi um episodio triste demais para todos e infelizmente muitos se aproveitaram macabramente para destilar seu veneno, culpando à mulher e os profissionais que toparam tentar com ela.
O engraçado é que ninguém culpou a nenhum de seus 3 cesaristas anteriores por suas cesáreas criminosamente mal indicadas e por suas suturas mal feitas que romperam seu útero ao primeiro esforço.
Enfim, este não foi um parto domiciliar. Existia a escolha, existia a co-responsabilidade, a consciência e o desejo. Tudo isto foi respeitado desde o principio, o que nos deu, além de tristeza, uma grande lição. Os profissionais foram criticados por deixar que uma “leiga” decidisse como seria seu próprio parto, um crime imperdoável para o nada misericordioso absolutista saber médico. Apesar do princípio ético ter sido respeitado, o trabalho de parto e a cesárea aconteceram no hospital, não em casa.
Hoje assistindo a um vídeo sobre meditação, compreendi porque os partos domiciliares tem sempre um final feliz.
A primeira razão, eu já sabia. Os profissionais que assistem conhecem o outro lado, a assistência hospitalar. Sabem o que a tecnologia pode oferecer, caso seja necessária. E, acredite, eles usam. De vez em quando acontece um parto normal hospitalar que começou em casa, ou até mesmo uma cesárea. Nunca saberemos caso estas cesáreas não tivessem sido feitas, se estas mulheres paririam em casa. O fato é que estas enfermeiras e médicos obstetras têm uma taxa de cesáreas baixíssima (5%, ao contrario dos 95% de maternidades particulares), de fazer inveja a qualquer hospital amigo da criança do mundo.
A competência destes corajosos colegas é o que dá a chance às mulheres darem à luz, como um dia suas mães lhe deram... Ou melhor do que elas, como foi meu caso, tendo nascido de um parto hospitalar abominavelmente intervencionista.
Digo corajosos não pelos riscos do parto domiciliar, já que são mínimos, iguais aos de um parto hospitalar de baixo risco; mas pela crítica a um sistema que não perdoa seus “adversários”. Corajosos por terem saído de suas matrix e conhecido um mundo novo, cheio de possibilidades e amadurecimento pessoal, fazerem disso sua profissão, sua missão e conseqüentemente seu legado.
Voltando ao vídeo, o narrador, com uma voz suave, dizia os passos a seguir para alcançarmos o estado de meditação perfeito. Foi quando ao final, ele disse “Neste estado Não há pensamentos, não há funções corporais, não há respiração”... -Não há respiração? – pensei – Mas e se alguém entra neste estado e morre?!
Então me dei conta que ninguém nunca morreu meditando. Inclusive estando há vários dias sem se alimentar ou sem orientação adequada... Assim como ninguém nunca morreu num parto domiciliar de baixo risco bem assistido.
E por que isto acontece?
É como religião. Não é a gente que escolhe, nós somos escolhidos... Depois que decidimos por um parto em casa, assim como quando decidimos expandir a consciência através da meditação, não há volta. Conhecer o outro lado tem este problema, saímos da acomodação, partimos para a auto-critica e para o trabalho. É um mundo meio solitário, mas a cada mulher que vemos ultrapassar seus próprios limites, temos nossa pequena recompensa pessoal.
Então os partos domiciliares nunca dão errado porque felizmente só chegam até ele quem realmente quer e está preparado.
A vontade, a coragem e a autoconfiança são características comuns às mulheres que optam por esta forma de trazer filhos ao mundo. E, por isso, não é para todas, afinal não é qualquer pessoa que decide sair da condição de paciente hospitalar para a de mulher dando à luz seu filho através de sua própria força e capacidade.
. Isso me deixa muito tranqüila e me amadurece para logo poder assistir e ajudar outras mulheres a parirem seus filhos em segurança, em seu lar.
É uma forma de devolver ao universo a gratidão por ter podido trazer meus filhos na paz, segurança e romantismo que só a minha casa, dentre todos os lugares do mundo, poderia ter.
Por isso fiz obstetrícia. Por isso estudo incansavelmente e por isso sou viciada nesta luta que é devolver às mulheres o direito de escolher, de mandar e de parir.

3 comentários:

Ariana disse...

Nunca engravidei, e acho que só vou poder decidir em parto domiciliar ou hospitalar quando eu tiver o sentimento de saber que meu filho está na minha barriga, por enquanto isso é mto distante.
Acho mto legal tudo que tenho aprendido em sites de parto natural, mas o que me intriga é a sensação de "somos melhores porque tivemos coragem". Se querem aceitação, aceite os outros tbem.
bjs

Dydy disse...

O texto nao diz isso. Querendo ou nao, temos que aceitar o outro extremo tb, mas ao contrario é o parto domiciliar é que é discriminado preconceituosamente. O outro extremo existe e nao manifesta qualquer intençao em nos aceitar, ao contrario de nós que convivemos com a realidade de milhoes de cesareas desnecessarias, colocando em risco tantas vidas.

versaodois disse...

Sim, eu compreendo, na verdade não vi isso no seu texto, mas ja vi em comunidades de partos naturais. Não vim pra criticar, vim para aprender, e passarei a frequentar o seu blog... bjs
(descobri ele no email que recebi do assunto "diario de um ex-cesarista")

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