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sábado, 20 de março de 2010

Medo


Eu costumava ser bastante corajosa diante de qualquer parto.

Não sei se por inocência ou se por princípio, mas o fato é que eu não sabia o que era o medo.
Acreditava que se eu havia parido, em casa, com parteira, mesmo sem saber nada sobre parto humanizado, então qualquer mulher também poderia.
Afinal, tenho todos os argumentos...
Simples assim.

Desde então, vi muitas coisas acontecerem. Coisas boas e coisas não tão boas. E algumas delas, de alguma forma, me desencorajaram.

Poderia dizer que não tenho medo de nada, que não temo VBA3C, que pego o que aparecer, que meu limite é a vitalidade do bebê, a vontade da mulher e nada mais.
É obvio que tudo isso me fará tomar decisões, mas quero dizer agora que não apenas isso.

Preciso assumir que tenho um limite sim e que ele, as vezes, não é cientifico.
Que tenho instintos, que vou usar meus sentidos. Do sexto ao milionésimo sentido para saber se posso esperar um pouco mais.

Deus sabe o quanto é difícil e doloroso assumir isto, mas tenho que dizer: dentro de minha ainda grande coragem, existe medo.

Sei que não faço partos, no máximo ajudo – quem faz é a mulher -, mas nossa sociedade não perdoa seus desertores e anseia por um erro ou por uma fatalidade para rotular de erro e apontar seu dedo sujo.

Não importa que tantos erros aconteçam diariamente em toda parte deste país, mas quando houver o que falar de uma enfermeira obstetra ou de um profissional que acompanhou um PD, será uma oportunidade “indisperdiçãvel”...

Alguns me diriam para partir para outra então. Se não tenho coragem de assumir tudo completamente, seria melhor não assistir nada ou até mesmo, passar a acompanhar cesáreas de rotina.

A taxa de partos normais assistidos por mim ou ocorridos na minha presença ainda é alta, mas talvez pudesse ser maior. Sempre poderia.

Apenas não tenho conseguido viver com uma realidade de tanta pressão, como se ela não existisse, como se não me afetasse nem um pouco.
Não queria estar confessando isto, mas queria ainda menos ter que sentir.

Esta “confissão” é o tipo que os extremistas da humanização precisam para diminuir um trabalho bonito e movido à paixão. E talvez os cesaristas ou simpatizantes da cesária se compadeçam e pensem “Tudo bem, afinal mesmo assim você ajuda gente demais”... Nada disso me satisfaz.

Mas nem um nem outro entendeu é que nem o medo me engoliu e nem sou um poço de coragem. Essa é a minha história e ela tem suas tortuosidades ao longo do caminho.
E este não é o final.

Sei que faz parte da minha construção. Preciso lidar muito bem com os medos para então ter a coragem necessária para fazer este trabalho, esta missão pela qual fui escolhida e aceitei sem hesitação...
... Ajudar a fazer um mundo de paz através e desde o nascimento.

Um comentário:

Maíra disse...

Entendo completamente seu post, Dydy, e me identifiquei muito com ele. Sou super defensora do parto natural, me considero uma ativista, porém também tenho um pouco de medo em relação a muitas situações. Não tenho uma opinião muito bem formada sobre algumas coisas, especialmente depois de conhecer alguns casos e participar de outros... é difícil demais. Acho que nunca serei um poço de coragem, e nem sei se quero ser. Acho que ter medo é bom, claro, quando ele não prejudica a gente... o medo faz com que a gente se preserve e preserve o próximo... é o medo que faz com que a gente não se "mate", por exemplo, se jogando de algum lugar alto demais ou dirigindo em alta velocidade. Portanto, ter medo não é ruim, Dydy. Eu, se fosse escolher, prefiro uma parteira que tenha sim seus medos do que uma que não teme nada.

Bjos

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