- O parto Natural e humanizado de verdade - A maneira segura e emocionante de ajudar mulheres trazer crianças ao mundo

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sábado, 27 de agosto de 2011

"Brigar" pelo Parto



Me incomoda de certa forma, ver as mulheres brigando por seus partos.
Pq a gente so briga pelo que nao tem, pelo que nao esta facil. E quando brigamos, nos colocamos contra alguma coisa.

Sei que mtas mulheres aqui tiveram literalmente que brigar por seus partos. Algumas conseguiram, outras nao.

Outras nao brigaram, simplesmente se entregam às maos do seu medico "pq ele sabe o que é melhor e eu nao tinha opçao, pq meu plano nao cobre profissional humanizado". E ate mesmo alghumas dessas conseguiram parir.

As duas formas acima de sonhar ou planejar partos tem suas falhas e seus sucessos, mas nao sao garantias de um parto legal.

Porem, todas as mulheres que EU acompanhei o TP e pararam de brigar, sem se entregar aos deuses medicos, conseguiram.

Nao sei se consigo ser clara, mas nao é uma postura ativa de negaçao ("Nao vou ter cesarea e ponto final!) nem de "seja o que deus quiser" que trazem o parto que queremos. 
Somente a sutileza do obvio pode trazer.

Vou citar duas pessoas que acompanhei da lista e que nao se importam que eu comente. Uma foi a Antonieta, recentemente. Enquanto ela estava "brigando" por seu parto, seu parto nao lhe estava acessivel. Mas qd duas pessoas na qual ela confiou (nao cega, mas racionalmente) lhe disseram o que honestamente achavam, ela concordou pq no fundo acho que sempre soube como poderia ser e, entao, de fato, confiou.
Traduzindo, foi naquele momento que ela parou de brigar e se entregou ao que de melhor poderia acontecer de forma segura naquele momento.
Seu parto foi como sua busca pelo seu parto. Demorou a pegar e precisou de intervençao de outras pessoas, tanto para encontrar suas parteiras, quanto para iniciiar seu TP. Mas qd começou mesmo, nao deu tempo de nada. Surpreendeu positivamente a todos. E nos deu uma alegria particular nesta lista. Foi uma historia de muito sucesso onde ela com o marido mais maduros e os profissionais, na hora certa fizeram a diferença. Talvez nem antes nem depois tivesse o mesmo desfecho, mas o universo conspira a favor.

E a outra... 
Todo mundo conhece a Renata, ela dispensa comentarios, mesmo assim vou comentar!
Todos dizem que pra Renata foi facil. A Renata é mto mais do que confiante... Ela é espontanea. Se nao fosse tao esperta, eu diria que é ingenua. Nao ve disficuldade onde geralmente vemos, ve o que quer ver e faz acontecer. Deve ter a ver com a criatividade, sei la. Mas ela nunca brigou tanto quanto nunca duvidou.
Talvez para ela, nao tenha realmente sido dificil parir, mas seu merito nao esta em mentalizar 18 meses seus 2 partos, o merito esta na construçao da pessoa que é. E mudar tudo é mto mais dificil do que mudar so para parir. Mas ainda sim, A Renata ja veio assim. Nossos pensamentos sao bem parecidos, mas eu tive que me construir nesta vida, e nesta, ela ja veio assim... Meio que totalmente pronta rs.

Algumas nao concordarão. Acredito que isso aconteça por nao compreender o que realmente estou dizendo. Mas antes dessa conclusao, quero que saibam que nao estou falando da mulher que nao esta nem ai pro seu parto pq sabe que vai enganar seu medico e chegar parindo, jamais diria isso e isso nunca deu certo.

Estou simplesmente dizendo que existe um padrao e nao coisas inexplicaveis desconectadas e misteriosas para conseguir ou nao. 
Ha poucas coisas das quais estou certa, mas esta é uma das que acredito que realmente esteja conseguindo uma conclusao logica.
Eu preciso disso para trabalhar.

Fim das minhas teorias por hoje!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Parto Domiciliar – 10 perguntas para Dydy

Dielly Miranda de Souza, mais conhecida como Dydy, é Enfermeira obstetra, uma pessoa que admiro profundamente e convidei-a para falar sobre sua experiência com seus dois partos domiciliares que motivaram seu caminho dentro da obstetrícia, ajudando outras mulheres a viverem seus partos de maneira intensa, romântica e segura. (Ana Cláudia bessa)


-Como foi a decisão por seu primeiro parto domiciliar?

Tinha 21 anos e havia acabado de me formar na faculdade de enfermagem, quando engravidei. Não tinha pensando em ter um parto domiciliar, mas queria muito parir com uma colega enfermeira. Quando encontrei a Helô, ela pediu que eu pensasse sobre esta possibilidade e eu sequer hesitei “Em casa? Tá bom.”

-Mas qual seria a grande diferença entre um parto domiciliar e um parto hospitalar humanizado?

Por mais humanizado que seja um parto hospitalar, não podemos esquecer que ele acontece dentro de uma instituição e que tem rotinas a serem seguidas. Muitas maternidades que se dizem humanizadas, não são.
Existem alguns detalhes básicos para serem considerados minimamente humanizados: liberar a dieta durante o trabalho de parto; oferecer analgesia natural como bola, banho, posiçoes alternativas; abandonar a episiotomia de rotina; indução de parto, incentivar alojamento conjunto e mamada logo após o parto…
Isso tudo parece muito simples, mas poucas maternidade tem todas estas atitudes.
E mesmo nestas, há normalmente varias pessoas na sala, os partos acontecem numa mesa ginecologica, fazem aspiração de rotina no bebê, vacinam logo que nascem…
Eu queria ser dona do meu parto. Poder gritar se desse vontade (e não deu), ter pessoas da familia perto ou até mesmo ninguém, trocar carícias com meu marido e viver um evento familiar, não médico.

-Como eram as histórias de parto que voce escutava?

Eu carregava um estigma muito forte familiar, em especial de minha mãe, que sofreu demais em seus partos institucionais altamente medicalizados, cheios de intervenção, com privacidade, segurança e conforto zero.
Praticaram todas as intervençoes possiveis e imaginaveis só para ensinar aos estudantes “como fazer partos”. Soro, kristeller (empurrar a barriga), deitada, episiotomia (corte na vagina), forceps, dieta zero (incluindo sede), varios academicos na sala de parto, afastamento dos bebês por dias e quando tudo terminou, não davam nada para comer porque já era tarde. Sozinha, exausta, com fome e sem bebê. Seus dois partos foram tristes assim.
Fora isso, minha avó tinha uma historia muito legal em seus 5 partos, alguns domiciliares, e o último, uma cesárea, ficou 4 meses internada em coma por reação a anestesia.
Quando eu era adolescente, imaginava que cesárea fosse uma libertação para todo o sofrimento do parto.
Tive que descobrir por mim mesma que parto, mesmo quando dói, pode ser bom, porque traz como nada mais na vida, uma vivência que jamais tive a oportunidade de ter de outra forma.
Mas falta aos profissionais, de maneira geral, esta percepção de que o parto não é legal só fisicamente. Aliás esta a menor das vantagens. O parto aproxima mãe e filho, por causa dos hormônios liberados, e amadurece espiritualmente de uma maneira rápida e forte.

-Como foram seus partos?

O primeiro foi difícil por vários motivos. Estava num momento complicado da minha vida. Além das histórias de parto de minha mãe, vieram à tona muitas questões pessoais que prejudicaram a evolução do parto, tornando-o o mais longo da história de minha parteira.
Acredito piamente que meu emocional contribuiu de maneira negativa para meu parto, mas o parto contribuiu de maneira incisivamente positiva para minha vida.Dormi menina e acordei mulher, como costumo dizer.
Tive rachaduras muito dolorosas no seio, mas aguentei firme, porque via que, se tinha passado pelo parto, poderia aguentar qualquer coisa. E o amamentei por quase 5 anos. Isto me uniu muito ao meu filho, Klauss, hoje com quase 7 anos. Ele nasceu na água, após quase um dia de trabalho de parto e com uma circular de cordão, na presença do pai dele e de minha mãe, Helo e Marilanda, no apartamento onde morava em Macaé. O segundo aconteceu há 14 meses, após uma gravidez planejada, extremamente saudável, quando eu já cursava especializaçao em obstetricia. Hoje brinco que ela fazia partos comigo desde antes de nascer. Eu não sabia o sexo, mas acreditavamos que fosse menina e só conseguiamos escolher nomes femininos e ele veio rapido, Aglaia, uma deusa grega, bela e gloriosa. Perfeito.
Só me dei conta que estava em Trabalho de parto menos de 2 horas antes dela nascer. Liguei pra Helô e achei um exagero quando ela disse que viria. Logo a bolsa rompeu e fomos pra casa. Queria que o klauss assistisse, mas ele dormiu. Tomei banho, vomitei, bebi muita agua. A enfermeira chegou quando faltavam uns 40 minutos para o nascimento, eu estava com menos de 5 de dilatação. Meu marido dizia que iria tira-la do mesmo jeito que a havia colocado dentro de mim. Em meia hora dilatei completamente, ela me deu um copo de vinho pra relaxar e logo minha princesa veio. Meu marido a trouxe para meus braços e, como estava escuro, coloquei a mão na vagina dela “É uma menina!”
Acordamos o irmão para conhecer a ” Bochechinha”, como ele a chamava. Foi muito importante ver minhas duas, alias, três jóias ali, juntas. Sem regras, sem ninguém para criticar nada.
Fiquei muito mais ligada ao meu marido depois disso.

-Voce vai continuar fazendo partos?
Não, eu só fiz meus dois partos, os outros eu só ajudo as mulheres a fazerem o que já sabem fazer.
Me sinto cada vez mais realizada toda vez que posso ajudar uma mulher a parir sem sofrimento, sem cortes, sem imposições.
Ás vezes eu gostaria de simplesmente parar com isso, largar tudo, porque é uma carga emocional e uma pressão muito grandes. Há varias pessoas torcendo para esses partos darem errado para criticarem minha profissão e esta autonomia feminina.
Falam em escolhas na obstetricia, mas elas so valem quando é para escolher cesárea ou escolher o hospital onde parir. Acho que o direito de escolha vai muito além.

-Mas dentro desta lógica, para que servem os hospitais?

Até o inicio do último século, praticamente não existiam partos institucionais. Eram parteiras e médicos de familia. Há menos de 40 anos, o modelo atual conseguiu espaço. Em muitos lugares do mundo, inclusive do Brasil, os partos são conduzidos por parteiras, com muito sucesso. Tanto que há varias iniciativas até internacionais para valorização do trabalho e profissionalização destas mulheres, verdadeiras guerreiras, que acabam dando jeito em varias situações que, por aqui, resolvemos com cortes simples e arriscados na barriga, as vezes sem qualquer critério.
O fato é que temos hospitais e tecnologia e eles são muito bem vindos, quando necessários.
Mas o que vemos hoje é uma inversão de valores: usamos tenologias para tudo e pecamos pelo excesso e o excesso também tem consequencias. Alias, infelizmente as cesáreas, criadas para salvar cerca de 10% das parturientes com dificuldades, tem prejudicado mais do que ajudado e não sou eu que estou dizendo, mas qualquer estatística de órgaos confiáveis nacionais e internacionais, inclusive OMS.
As maternidades são necessárias para estes casos em que o parto é complicado ou mesmo impossível. Estes casos são raros, ao contrário de tantas desculpas para operar como bebê passando do tempo, cordão enrolado, “não tenho passagem”, etc.
Se as instituições fossem procuradas nos casos em que há necessidade real, evitaríamos muitas intervençoes e complicações de parto.

-A mulher pode escolher seu parto?

Esta é uma pergunta muito difícil para mim. A principio sim, desde que a mulher fosse realmente informada e bucasse por si mesma saber dos riscos de uma cesárea desnecessária.
Algumas optam por medo da dor, mas cesárea dói infinitamente mais, tanto que a anestesia é obrigatoria, fora o pós-operatorio; Quanto ás complicações, ela traz muito mais internações, infecções, necessidades de UTIs, aumento do período e gastos hospitalares e intervenções em cascata; Quanto a novas gravidezes, limita o numero de filhos, pode complicar novos partos e trazer outras morbidades; para o bebê, normalmente o distância da mãe nos primeiros instantes, pois os cuidados são maiores e mais demorados, a mãe fica sem uma posição confortável para amamentar, então o bico pode rachar mais facilmente e a criança não pode receber os primeiros cuidados por sua mãe…
Sinceramente, não vejo porquê escolher a opção que traz mais transtornos e riscos. Não compreendo como os profissionais podem aceitar esta “opção” tão facilmente, já que conhecem ainda mais de perto os perigos.
Ninguém vai ao cirurgião e diz “Quero tirar o apendice, porque já venho sentido umas dorezinhas na barriga e todo mundo na minha família tem apendicite, e como não quero sentir dor, vamos marcar a operação?”
E se alguem fizer isto, o cirurgião não aceitará. Ele fará recomendações para evitar apendicite e só operará se tiver indicação devido aos riscos de qualquer cirurgia> Por que na obstetricia deveria ser diferente?
Então vendo de uma maneira superficial, é facil ser a favor da escolha feminina, mas como escolher por um procedimento mais arriscado e que é exclusivamente médico?

-Onde as mulheres e os casais pode buscar mais informações e auxílio sobre o assunto?

Faço parte de duas ONGs que apóiam e acreditam no parto natural, constituída de mulheres de todo o país, dispostas a ajudar,de alguma forma, outras mulheres a terem direito de parirem. Da parte dos profissionais, existem eventos anualmente para o público afim e tem vários profissionais que têm esta pratica em várias partes do Brasil.
Além disso, há muitas informações na internet, inclusive científicas, como a biblioteca Cocrhaine e outros.

-Você pretender ter mais filhos?

Ser mãe foi uma experiencia tão importante em minha vida que quero ter pelo menos mais dois, além das centenas que quero ajudar a nascer como os meus: seguros e em paz.

-Para terminar, que mensagem você daria ás mulheres que desejam profundamente ter um parto natural?

Eu diria, aliás, digo: confiem em si mesmas. Não esperem milagres, façam seus partos acontecerem. Profissionais oferecem serviços e não adianta entrar numa churrascaria sendo vegetariano. Busque, se informe, não perca esta oportunidade de crecimento que é o parto. Isto não é besteira, não é um desejo pequeno. Se seu coração está pedindo, procure quem possa realmente ajudar e faça sua vida valer a pena. Não só no parto, mas onde quer que vá.

E boa hora pra você!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Deixar Acontecer

É um grande desafio deixar as coisas acontecerem naturalmente. Ficamos internados em universidades por vários anos, aprendemos manobras salvadoras, técnicas que nos fazem sentir importantes, as pessoas nos fazem sentir tão especiais por isso e aí vem um bando de mulheres dizer que buscam exatamente o contrario!

Nós estudamos muito para que digam que não devemos fazer nada, que muito poucas mulheres precisam e fato precisam de nossos conhecimentos altamente especializados. Mas é assim que deve ser.

Não intervir é um exercício. No estilo mais tradicional "Orai e Vigiai".
Mais importante do que saber fazer uma episiotomia, é saber não fazer uma.
E é muito mais difícil aprender a não fazer do que aprender a fazer.

Falar de fora é fácil, mas saber que uma “traçãozinha” seria o suficiente para o bebê acabar de nascer é um grande desafio. Ainda mais se por perto estiver algum profissional tenso e se não der para identificar sinais de como o bebê está naquele momento.

No dia a dia da obstetrícia, infelizmente não vemos apenas nascimentos maravilhosos. Um apgar baixo, um silencio ensurdecedor, cobrança, rótulo e nada que se faz é suficiente.
Nem para os outros nem para nós mesmos.

Queria saber quem vai ter dificuldade, que sinal prediz o que, como reconhecer o que há de mais improvável, onde está a máquina do tempo para fazer diferente?...
São muitas perguntas sem respostas.

Não é fácil lidar com vida... E morte.
Mas deixar a vida acontecer em paz é nossa obrigação. Não podemos oferecer mais às mulheres do que intervir quando realmente necessário e deixá-las parir lindamente quando não for.

Há mais distância entre o céu e a terra do que supõe nossa vã obstetrícia.
Não é fácil, mas precisa ser feito.
Na esperança de deixar esse legado, de deixar nessa Terra seres humanos vindos de nascimentos mais serenos, seguros e dignos, continuamos persistentes em nosso duelo interno.

sábado, 3 de julho de 2010

Se você Quer Mesmo Um Parto...

Resolvi escrever este post porque, no português claro, eu não agüento mais assistir passivamente mulheres que manifestam um desejo verdadeiro por um parto natural, sendo levadas para uma cesárea desnecessariamente e se conformando logo em seguida, afinal todos estão vivos... Como se sobreviver a um processo biológico fosse tudo de bom que pudesse acontecer neste momento.

Vou dizer mais uma vez:
Quem quer um parto normal, não pode ter como obstetra um cara que faz cesárea em todas as suas amigas! Não adianta fazê-lo prometer, porque ficamos muito vulneráveis no trabalho de parto.

Você precisa é ter alguém que te levante quando você chorar como menina implorando pela cesárea que não deseja. De alguém que esteja ao seu lado e diga que você está indo bem e que se emocione com sua conquista quando esse bebe estiver em seus braços!

Não tente transformar ninguém. Muito poucas pessoas estão abertas a mudarem suas práticas e até mesmo disponíveis para interromperem um jantar romântico ou acordar no meio da madrugada. Ele não vai mudar só para que você tenha o parto que deseja...

Não exija o serviço que o profissional oferece!
Compre “o produto” de que sabe fazer!
Mude você!

Por que é tão difícil mudar de obstetra para parir? Vínculo? Medo? Dúvida? Ninguém pode fazer esta escolha por ti. Então saiba que as vezes precisamos dizer não e correr com nossas próprias pernas, nos responsabilizar pelas glórias e conseqüências de nossas decisões.

Vou contar a história que sempre conto às grávidas que querem, porém não conseguem mudar de obstetra: Imagine que você é uma religiosa ferrenha, super discreta e precisa ir a um evento. Vai a uma loja de vestidos, onde todas as suas amigas saíram de lá com vestidos diferentes do que pediram, mas pelo menos sobreviveram. Mesmo assim você vai e pede um vestido preto, sem detalhes, reto. Mas a vendedora que é a melhor da loja (vende qualquer coisa que queira) lhe vem com um tubinho modernérrimo de estampas havaianas, com babados e lantejoulas amarelas. Você até assusta de início, mas ela fala de todas as vantagens das cores fluorescentes, da beleza dos cintilantes e que é a ultima moda em Milão. Você não querendo ser desagradável - porque ela é muito legal e te conhece há anos -, insiste no preto educadamente sem conseguir se imaginar vestindo aquela fantasia de carnaval que ela quer que você compre. Então você diz que vai pensar. Volta lá várias vezes, afinal vocês são amigas, e ela sempre vem com a mesma peça. Como não existem muitas lojas na cidade, já esta chegando o grande dia e falam muito mal de um certo vestido preto que comparam rasgado e a mulher ficou nua no meio da festa, você resolve comprar o da sua amiga (sai até mais barato) e vai a festa. Acontece tudo que você não queria: fica engraçadamente sexy e vira o centro das atenções. Mas não tem problema, pois tem um monte de gente que se veste assim e essa noite só vai durar algumas horas. Amanhã vai estar tudo bem. O importante é que você está viva.

Mas a diferença é que o parto e a sua vida são muito mais importantes do que um vestido.

Informem-se, reflitam, descubra o que querem, o que precisam e depois busquem no lugar certo... Porque parto é algo que vivemos muito poucas vezes na vida para que seja de qualquer jeito.

Faça você a mudança que precisa em sua vida.
Ou deixe as coisas como são e pronto.

Só as peço que me façam acreditar quando vocês tiverem decidido por si mesmas.
E eu ajudarei com o maior prazer e satisfação do mundo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Receita Infalível para Conquistar seu Parto

A primeira coisa que se deve ter em mente é o porquê deste desejo. O que te leva a escolher o parto normal tradicional ou domiciliar - e observe que são duas escolhas totalmente diferentes -, abrindo mão de uma cesárea limpinha e segura dentro dos critérios de sua sociedade?

Seria muito mais simples fazer uma cesariana...
Veja só: o plano cobre, as pessoas não questionam, a sociedade não te cobra, a família respeita a escolha, o marido ajuda a chegar a esta decisão e o melhor: todo mundo faz. Pois TODAS as cesáreas salvaram a vida de TODAS as suas amigas.
Não é o que elas teimam?

Parece besteira, mas é simples assim. Não é necessário gastar suas horas buscando informações, se desconstruindo, tendo um trabalho danado em encontrar um profissional que banque realmente teu sonho, negociar pagamento para este trabalho diferenciado mesmo já tendo um bom plano... Tudo isso quando você poderia estar curtindo a gravidez como qualquer grávida "normal", providenciando os detalhes do quarto - que também é um sonho -, economizando o dinheiro para as roupas, verificando os últimos detalhes do chá de bebê e deixando esses assuntos técnicos para quem estudou pra isso.

Afinal... “O que você sabe sobre seu corpo?”
Quantas e quantas vezes ja escutamos o discutrso acima.
A partir de agora Modo Ironia OFF...
Vamos pensar com nossas próprias cabeças.

Para ter um parto natural ou domiciliar, o primeiro grande cuidado é escolher o profissional que acredite, que faça e que seja seguro de que pode oferecer o parto que você deseja, sem jamais mentir, omitir ou deixar uma questionamento seu de lado.

Ele tem que ser disponível e já ter um histórico de partos naturais confirmáveis no currículo. Sua taxa de cesáreas tem que ser baixa com tendência à redução.

Todo sonho tem seu preço, inclusive o preço financeiro. As pessoas que assistem partos naturais ficam presas (goste ou nao da palavra) a estes partos até que aconteçam. Não tem dia nem hora para acontecer. Não tem como apressar, postergar ou prever.
E seja qual for o valor financeiro, jamais ultrapassará o valor emocional e a satisfaçao que só um parto natural traz. Só quem passou por um parto transformador pode saber quanto ele vale. E só quem se frustrou com uma desnecessária sabe o quanto gastou e se desgastou emocionalmente.

Muitos acham uma grande besteira parir. Não compreendem a ferida biológica que a dor de um não-parto, apesar da maternidade, podem causar.
"Afinal o que interessa é todo mundo vivo – já que estamos num campo de batalha – e nada mais".
"Com uma outra vida dentro de ti, as sensações, as superações e as transformações são um luxo e 'um risco' que você não tem o direito de querer ter". Assim diria qualquer um às 40 semanas de gravidez.
Mas Você acredita mesmo nisso?

Depois do profissional realmente humanizado ser encontrado, é necessário se informar em toda parte. É fundamental ler de tudo e saber que no meio aparecerão bobagens, preconceitos, medos pseudo-científicos.

Não é necessário nem útil contar para todo mundo. Infelizmente, o encantamento que você pode ter em relação ao Parto não é uma unanimidade e tudo que você não precisa é energia negativa. Guarde para você, seu marido, alguém que de fato possa ajudar e o profissional.
Mas se quiser, conte para todo mundo... Depois.

Em terceiro, mas não menos importante, por mais que você seja super urbana e não queira se tornar vegetariana, bicho grilo ou uma loba, é imprescindível ter alguma conexão sólida com a natureza. Gostar da terra, se divertir com a água, respeitar os bichos e saber que recebemos infinitamente mais de Gaia do que podemos doar.

O que tem a ver? Parir é um ato natural e estar em harmonia com a natureza, com a Terra é sim de extrema relevância.

Claro que algumas parirão, mesmo tendo conexão apenas com o cartão de crédito, porque enfim, parir é biológico. Mas pertencer a esta sociedade nos traz dificuldades imensas e progressivas que de fato atrapalham o curso do parto natural.

A principal e mais cruel delas é a crença na defectividade do corpo feminino. Fazendo com que desacreditemos de nossa capacidade biológica, cria-se um mercado baseado nos excessos e altamente lucrativo.

As mulheres não têm defeito de fabricação. Tudo é como deveria ser. Crer nisto é a sofisticação do não direito ao voto e da proibição da participação nas olimpíadas no início do século passado. As mulheres sabem o que é melhor para si e definitivamente não precisam ser tuteladas.
Caso ainda reste dúvida: NÓS TEMOS ALMA.

E este é o quarto princípio para a conseguir o parto dos sonhos: confiar em si mesma. Ter fé no que não se vê, ter força e crer que o melhor sempre acontece.

Tudo isso é loucura num sistema tão avesso ao natural, ao fisiológico, baseado na tecnologia, na fatalidade e no acaso... Sem lógica, sem princípio, sem meio e sem fim.

Claro que o título deste texto foi para atrair. Existem mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia. Você já deveria saber disto! Não existe resposta para tudo e não existem garantias.

Cada mulher deve buscar antes de tudo em si mesma a força que necessita para gestar, para parir, para amamentar, para educar, para amar... Para ser mãe enfim.

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