- O parto Natural e humanizado de verdade - A maneira segura e emocionante de ajudar mulheres trazer crianças ao mundo

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Receita Infalível para Conquistar seu Parto

A primeira coisa que se deve ter em mente é o porquê deste desejo. O que te leva a escolher o parto normal tradicional ou domiciliar - e observe que são duas escolhas totalmente diferentes -, abrindo mão de uma cesárea limpinha e segura dentro dos critérios de sua sociedade?

Seria muito mais simples fazer uma cesariana...
Veja só: o plano cobre, as pessoas não questionam, a sociedade não te cobra, a família respeita a escolha, o marido ajuda a chegar a esta decisão e o melhor: todo mundo faz. Pois TODAS as cesáreas salvaram a vida de TODAS as suas amigas.
Não é o que elas teimam?

Parece besteira, mas é simples assim. Não é necessário gastar suas horas buscando informações, se desconstruindo, tendo um trabalho danado em encontrar um profissional que banque realmente teu sonho, negociar pagamento para este trabalho diferenciado mesmo já tendo um bom plano... Tudo isso quando você poderia estar curtindo a gravidez como qualquer grávida "normal", providenciando os detalhes do quarto - que também é um sonho -, economizando o dinheiro para as roupas, verificando os últimos detalhes do chá de bebê e deixando esses assuntos técnicos para quem estudou pra isso.

Afinal... “O que você sabe sobre seu corpo?”
Quantas e quantas vezes ja escutamos o discutrso acima.
A partir de agora Modo Ironia OFF...
Vamos pensar com nossas próprias cabeças.

Para ter um parto natural ou domiciliar, o primeiro grande cuidado é escolher o profissional que acredite, que faça e que seja seguro de que pode oferecer o parto que você deseja, sem jamais mentir, omitir ou deixar uma questionamento seu de lado.

Ele tem que ser disponível e já ter um histórico de partos naturais confirmáveis no currículo. Sua taxa de cesáreas tem que ser baixa com tendência à redução.

Todo sonho tem seu preço, inclusive o preço financeiro. As pessoas que assistem partos naturais ficam presas (goste ou nao da palavra) a estes partos até que aconteçam. Não tem dia nem hora para acontecer. Não tem como apressar, postergar ou prever.
E seja qual for o valor financeiro, jamais ultrapassará o valor emocional e a satisfaçao que só um parto natural traz. Só quem passou por um parto transformador pode saber quanto ele vale. E só quem se frustrou com uma desnecessária sabe o quanto gastou e se desgastou emocionalmente.

Muitos acham uma grande besteira parir. Não compreendem a ferida biológica que a dor de um não-parto, apesar da maternidade, podem causar.
"Afinal o que interessa é todo mundo vivo – já que estamos num campo de batalha – e nada mais".
"Com uma outra vida dentro de ti, as sensações, as superações e as transformações são um luxo e 'um risco' que você não tem o direito de querer ter". Assim diria qualquer um às 40 semanas de gravidez.
Mas Você acredita mesmo nisso?

Depois do profissional realmente humanizado ser encontrado, é necessário se informar em toda parte. É fundamental ler de tudo e saber que no meio aparecerão bobagens, preconceitos, medos pseudo-científicos.

Não é necessário nem útil contar para todo mundo. Infelizmente, o encantamento que você pode ter em relação ao Parto não é uma unanimidade e tudo que você não precisa é energia negativa. Guarde para você, seu marido, alguém que de fato possa ajudar e o profissional.
Mas se quiser, conte para todo mundo... Depois.

Em terceiro, mas não menos importante, por mais que você seja super urbana e não queira se tornar vegetariana, bicho grilo ou uma loba, é imprescindível ter alguma conexão sólida com a natureza. Gostar da terra, se divertir com a água, respeitar os bichos e saber que recebemos infinitamente mais de Gaia do que podemos doar.

O que tem a ver? Parir é um ato natural e estar em harmonia com a natureza, com a Terra é sim de extrema relevância.

Claro que algumas parirão, mesmo tendo conexão apenas com o cartão de crédito, porque enfim, parir é biológico. Mas pertencer a esta sociedade nos traz dificuldades imensas e progressivas que de fato atrapalham o curso do parto natural.

A principal e mais cruel delas é a crença na defectividade do corpo feminino. Fazendo com que desacreditemos de nossa capacidade biológica, cria-se um mercado baseado nos excessos e altamente lucrativo.

As mulheres não têm defeito de fabricação. Tudo é como deveria ser. Crer nisto é a sofisticação do não direito ao voto e da proibição da participação nas olimpíadas no início do século passado. As mulheres sabem o que é melhor para si e definitivamente não precisam ser tuteladas.
Caso ainda reste dúvida: NÓS TEMOS ALMA.

E este é o quarto princípio para a conseguir o parto dos sonhos: confiar em si mesma. Ter fé no que não se vê, ter força e crer que o melhor sempre acontece.

Tudo isso é loucura num sistema tão avesso ao natural, ao fisiológico, baseado na tecnologia, na fatalidade e no acaso... Sem lógica, sem princípio, sem meio e sem fim.

Claro que o título deste texto foi para atrair. Existem mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia. Você já deveria saber disto! Não existe resposta para tudo e não existem garantias.

Cada mulher deve buscar antes de tudo em si mesma a força que necessita para gestar, para parir, para amamentar, para educar, para amar... Para ser mãe enfim.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nao percam amanhã!!!

Ainda na bela onda do parto da Gisele Bundchen, a Thalita que ganhou bebê comigo e dr Rodrigo Vianna em agosto vai dar entrevista amanha (05/02) na Ana Maria Braga falando sobre seu parto na agua.

Eu sou a "parteira' que ela cita rs.


Nao percam!

Parabens, Thalita!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Gisele



Era a cara dela parir em casa... Como não pensei nisso antes?


Talvez porque esteja cansada de ver famosa dizendo que deseja parto natural e apareça com cesárea eletiva por cordão umbilical enforcando bebê ou porque já está passando da “hora”...

Mas todo aquele segredo, toda aquela necessidade de privacidade para viver a gestação plenamente jamais foi vista. E depois um parto de um bebê sem nome, o qual ela só soube o sexo no parto... Suspeito demais para ser coisa de mulher comum.

Ela fez o que todas futuras mamães poderiam para preservar sua intimidade, suas escolhas e conseguir executá-las sem um mundo inteiro para dizer que não é seguro, quando nosso corpo diz que sim.

Apesar de um mundo inteiro em cima de sua gravidez desde o primeiro instante, ela conseguiu ser discreta, se resguardar do exagero e ter os seus próprios segredinhos de família, como toda mulher tem o direito de ter.

Então, há um mês, sem alarde, ela pariu seu filho querido em seu quarto, próximo ao lugar onde provavelmente foi concebido. Longe de holofotes, dos flashes, da urubuzada e de qualquer agouro do tipo “Não vai dar certo”.

E como, ela mais uma vez andou pra opinião mundo, deu certo!

Foi a rotina da noticia de cesárea que não me deixou ter esperanças em você.
Parabéns, Gisele, minha compatriota, musa mais que inspiradora...
Desculpe por tê-la subestimado.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Assistir cesáreas


Definitivamente, esta não era uma notícia que eu gostaria de dar e uma situação que eu escolha viver.

Por outro lado, compreendemos que mesmo que não exista indicação clínica, existem limites pessoais, de mulheres que sonharam verdadeiramente com esse papel biológico de parir.

E aí, nos resta compreender e concordar com os limites, que são pessoais, mas que desde que tomados conscientemente, têm, de alguma forma, seu valor.

Não podemos dizer que uma cesárea assim é tão desnecessária quanto uma cesariana marcada as 39 semanas devido a circular de cordão.

As vezes, precisamos ver as situações de maneira particular e compreender que as cesarianas, principalmente nas sociedades modernas, têm sua importância que na prática, não é salvar necessariamente vidas.

Além da cliente, existe as razoes que motivam os profissionais a fazer isto. Não estou falando de qualquer profissional, mas daquele que sonha junto, que vai fundo, que quer parir aquele bebê com a mulher.
Este é meu caso.

Apesar de confiar na mulher, de reviver meus próprios partos com elas, eu só sei até onde eu posso ir, mas não posso querer que as outras tenham um limite tão distante quanto o meu.

E mesmo assim, eu as admiro por conseguirem remar por tanto tempo contra a maré de pressão, medo e responsabilização.

Sei que estes bebês têm mães que pensaram o tempo inteiro em seu bem estar e que, apesar desta cultura opressora, deram a eles o que de melhor tinham a oferecer: o cuidado.

Hoje falo sob uma perspectiva pessoal, todo emocional oscila e eu posso não ter a mesma opinião diante de outra cliente.

Mas o que posso dizer agora é que nós fomos até onde podíamos ir.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Contra o ato médico


Como vcs ja devem saber, o ato médico esta em votação no site do senado e é mto importante que unamos nossas forças para que esta lei absurda nao passe.

A propaganda é que querem apenas delimitar o que o medico pode fazer, mas a verdade é que querem fazer reserva de mercado. Ou seja: dinheiro.

Com a lei, todos os profissionais teriam que estar vinculados a um médico que passaria toda a terapêutica, mesmo aquelas que ele nem compreende bem, como no caso da fisioterapia e do parto natural pelos enfermeiros.

Além disso, nem os próprios médicos sabem que simplesmente TODOS os procedimentos minimamente invasivos, passariam a ter que passar por eles, ou seja, eles teriam que aplicar ate mesmo vacina.

Nem existe tanto médico assim no mundo para assumir o lugar de tantos profissionais, o que acabará sobrecarregando os médicos que já estão aí, principalmente os da ponta.

Se as outras profissões se unirem e resolverem cumprirem esta lei, caso passe, não poderemos nem mesmo ajudar os medicos que sao contra este absurdos, fazendo os procedimentos que a partir daí seria excluivo dos médicos.

Para nos enfermeiros, por exemplo, restará cuidados com o cliente e orientações.

O ato metico ata-nos. Ata cerca de 14 profissões entre elas: enfermagem, fisioterapia, nutrição.

Tem espaço para todos, mas quem mais vai perder com tudo isso é a população.
Mas vc acha que estão ligando pra isso?

Clique e Vote contra
E não se esqueça de que quem está votando são os políticos que NÓS colocamos lá.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Acadêmicos...

Conversas com estudantes sempre me estimulam a estudar mais e a me questionar.

E como atualmente também trabalho como preceptora dos acadêmicos da UFRJ, para mim, esta é uma oportunidade de ver grandes profissionais nascendo.

Então esses dias fiquei muito feliz e, ao mesmo tempo preocupada, com a posição de uma acadêmica de medicina.

Ela me dizia que pensava seriamente em ser Obstetra, porém também me contava do tipo de parto que aprendeu a considerar “normal”.

E mesmo assim, ela gostaria de ter um bebê por via vaginal.

É lindo uma mulher desejar que seu filho venha ao mundo de maneira natural. Acho que esse desejo, quando genuíno, revela a voz da biologia, da natureza num diálogo direto. É como se o espírito desse bebê já estivesse em contato com esta mãe, pedindo um nascimento em paz. Muitos diriam que é uma viagem espiritualista, mas outros compreendem do que estou falando.

Fui comovida por aquele desejo, mas também me preocupei com o que ela compreende como parto, já que sua amostra de partos é medicalizadamente viciada.

E fiquei me perguntando como alguém pode querer passar pela experiência de parto, quando o que conhece é o doloroso, o solitário, o coisificado, o ruim.

Imagina quando ela souber o quanto o parto pode ser extasiante?!

Se conhecendo partos tradicionais, ela já se interessou, se tiver a chance de conhecer a obstetrícia baseada em evidência, vai se apaixonar perdidamente. Creio eu.

Mas será que a imersão no sistema obstétrico atual permite que um profissional de boa vontade siga outro caminho senão o imposto e limitado?

Todos os poucos obstetras humanistas que conheço traçaram um caminho bem difícil, porém consciente e sem volta. É um caminho tão diferente que poucos puderam percorrer de verdade até o fim. E mesmo depois que se encontram como profissionais, as criticas não cessam, marcando um paradoxo - científico e moral - imperdoável entre as críticas aos humanistas – que fazem certo - e exaltação dos cesaristas desenfreados – que não fazem o certo.

Não é atrás apenas do termo “Eu FIZ o parto de alguém” que se esconde toda a distorção feita contra as mulheres diante de seus partos. Cada vez que dizemos que seu parto é imprevisível e perigoso demais para ela ser completamente autônoma neste processo, matamos um pouco a esperança de um mundo melhor. Toda vez que dizemos a uma grávida que ela deve parir num hospital, tiramos dela a chance de colocar seu filho no mundo, e com isso prejudicamos o futuro da humanidade.

Loucura?

Um parto não é só um parto. Um nascimento não é só um nascimento. Cada espírito que nasce precisa ser bem recebido e se não formarmos profissionais que acreditem visceralmente nodireito primal feminino de parir sua cria, que cenário mundial vamos mudar?

Se esta acadêmica e seus colegas não conseguirem enxergar logo além dos bisturis, estaremos os condenando ao simplismo e passividade e as nossas mulheres e bebês a partos medicalizados.

Porque depois de um tempo, “os peixes não conseguem mais ver a água” e este "parto" vai continuar sendo doloroso, temido e repugnante.

sábado, 14 de novembro de 2009

De volta!

Nunca fiquei tanto tempo sem escrever sobre partos.

Há uma série de razoes para eu ter dado um tempo, mas o fato é que eu estava sem vontade.

Amo obstetrícia, amo ver gente parindo gente, mas confesso que, apesar de continuar ajudando mulheres a parir, tenho sido levada, sem hesitação de minha parte, para outros focos, o que não me impede de permanecer empoderando as mamíferas.

E aí agora quando entro, vejo que estou com 20 seguidores, sem qualquer esforço com divulgação... Isso me faz pensar que o que tenho a dizer é importante sim, ao contrário do que comecei a acreditar.

E é em gratidão a vocês que escrevo hoje.

Não quero recorrer ao mimo, ser elogiada ao extremo ou qualquer coisa assim. Só precisava sentir que o que eu tenho a dizer e fazer em obstetrícia está ajudando as mulheres a terem seus filhos em segurança e em paz. Este é meu maior objetivo dentro da enfermagem obstétrica.

Todo mês de novembro existe o encontro dos humanistas e afins, num evento que ficou conhecido como “O encontro da fadynha” (www.partonatural.com.br) que é uma doula, talvez a mais famosa do Brasil, que é quem dá o gás que um encontro desses precisa.

Eu sempre vou a estes encontros. É sagrado pra mim. Vejo muitos amigos querido e de longa data que só tenho a oportunidade de encontrar uma vez por ano ou, muitas vezes, uma vez por vida. É um momento que não poso perder.

E rever estas pessoas, sonhar junto, confabular, especular, pensar estrategicamente com elas sempre me traz a energia que preciso para continuar nesta luta constante que é fazer o mundo compreender que o parto não é um ato médico, que o parto é um ato da mulher e que o máximo que podemos fazer é observar e ajudar, nada mais.

amais vou abandonar este desafio, esta grata missão, que é auxiliar o nascimento humano. Desta forma acredito que possa contribuir por uma humanidade mais sensível, mas sábia e mais feliz.

Eu nunca fui embora, mesmo assim estou de volta!

sábado, 22 de agosto de 2009

Na faculdade

Certa vez durante a graduação, uma professora soltou a seguinte máxima em plena sala de aula: “temos que fazer trabalhos científicos que exaltem a Enfermagem!”

Naquele momento, eu que desejava ser uma pesquisadora acadêmica, vi meus olhos brilharem. “É mesmo, vou usar meu trabalho para exaltar minha profissão!”

12 anos depois vejo tão claramente a besteira que escutei naquele dia.

Não foi fácil pensar como penso hoje. Seria muito mais fácil simplesmente ficar discutindo com outras profissões o que é meu, o que é seu e o que é nosso., mas isto não é correto. O corpo é da mulher, o parto é da família, o nascimento é do bebê. Nada ali é meu senão os sentimentos e o aprendizado.

Vendo ainda hoje, profissionais muito mais velhos de casa do que eu, discutindo o que é de quem, procedimentos, quem ganha mais, quem sabe mais, percebo o quão longe estamos da obstetrícia cientifica, humana e ideal.

Não importa quem faz o bem: o importante é que alguém faça. Este modelo no qual vivemos não supre esta necessidade. É a obstetrícia baseada no “Eu faço assim”, onde a mulher não tem voz, o bebe não é respeitado e o pai, ignorado.

Apesar da humanização comer pelas beiradas, cresceu por ser independente. Um modelo tradicional não vinga se não for autossustentável. O parto natural é. Os recursos que utiliza são paciência, sutileza, coragem, firmeza... Características humanas. De nada servem bisturis, soros e fios sem um coração de verdade batendo por trás.

Esse negócio de “procedimento”, “risco”, tinha tudo para ser verdade se fosse sempre sincero. O problema é que não é a verdade. A insistente fala sobre insegurança no parto domiciliar ou natural hospitalar traduz nada mais que uma insegurança pessoal e acadêmica. É melhor fazer o que aprendi do que o que não conheço. Mas se fechar para o novo é lamentável.

Torço para que os profissionais amadureçam logo e unam-se para combater a desumanização e a mortalidade materno infantil. Que possam construir juntos um novo sistema, maduro, altruísta e sóbrio.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Parto natural, Parto vaginal, Parto Domiciliar e Cesárea

Muitos ainda crêem que a única diferença entre parto normal e cesárea é que um corta embaixo e o outro corta em cima. Entre o parto hospitalar e o parto domiciliar, que a diferença é o lugar. E que parto normal ou vaginal é o mesmo que parto natural.

Está tudo errado.

Todos os bebês nascem. Nem sempre é como se deseja, nem sempre é como deveria ser. O fato é que todos os bebês nascem com ou sem a ajuda da tecnologia. Esta veio para ajudar aqueles raros casos que naturalmente, haveria algum dano.

Enfim, com médico, sem médico ou apesar do médico, todos os bebês nascem. Mas a ajuda é quase sempre bem vinda.

Vamos começar a colocar os pingos nos is.

Parto normal é como se chama tradicionalmente o parto vaginal, hospitalar, geralmente com muitas intervenções. Quando escutamos dizerem “parto anormal”, é deste parto que estão falando. Não há como ser a favor dele. As pessoas que o praticam, o fazem porque não conhecem outra forma e um bebê nascendo é sempre algo emocionante. Isso meio que apaga as dores das mãe. Alías, não é raro que elas se bastem pelo fato do filho ter sobrevivido, tamanho medo socialmente imposto.

Ora, entregar um bebê vivo á mãe é o mínimo que se deve fazer... Estar vivo não é luxo.

Parto domiciliar não se difere do parto tradicional hospitalar somente pelo local onde acontece. A segurança também não é discrepante, mas comprovadamente a mesma. Ou seja, não são as tecnologias invasivas e desnecessárias que tornam os partos seguros, mas que estragam muitas vezes partos que aconteceriam sem problemas, naturalmente.

Só estando dentro de maternidades, mas com o olhar de fora, para perceber o quão absurda é dizer que domiciliar é mais perigoso e fazer parecer que é tudo a mesma coisa, só muda a segurança que é “maior” no hospital.

Em casa, é imensurável a liberdade. Não acontece nada que a mulher não queira. Ali ela pode fazer coisas inaceitáveis num ambiente formal como um hospital, adotará as posições que sua natureza ordenar, sem quem diga que é ridículo, emitirá os sons que seu corpo pedir... Não terá infusões, cortes, apertos, críticas, ordens, normas... Isso aumenta muito as chances das coisas acontecerem. Vocês não imaginam o quanto!...

O parto domiciliar e o parto tradicional hospitalar são completamente adversos. Não é possível ter no hospital o que se tem em casa.

A cesárea é – ou deveria ser - uma cirurgia criada para ser um procedimento médico de emergência. Abrir um abdome jamais será uma coisa simples como a propaganda faz parecer ser. Fazer cesárea é comum, mas não é normal. Há danos físicos, uma cicatriz eterna, mas a cicatriz não é só na barriga: é a marca de que o processo foi impedido, falhou. Isto é muito sério para ser deixado de lado, só porquê mãe e filho estão vivos. Estas informações precisam ser divulgadas ás mulheres para que não permitam se submeter a isto.

Todas estas formas de colocar filhos no mundo certamente têm algum motivo para acontecer. Que cada um aprenda com o que já aconteceu, mas que faça diferente da próxima vez. Que não mine as gestantes que querem o parto que não lhe foi possível, ou que, como profissional, não pode dar. E que cada mulher encontre seu melhor caminho para ser a melhor mãe.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

“Parto” Cesáreo

O que se esconde por trás da expressão “Parto cesáreo”?

Para compreender isto, primeiro temos que esmiuçar ambas as palavras, isoladamente.

Há 50 anos, se fosse perguntado a uma mulher o que a parteira faria se o parto não saísse como o planejado, certamente ela não diria que faria uma cesariana. Ela simplesmente confiaria que tudo sairia bem e teria fé que Deus guiariria as mãos de sua parteira.
Simples assim.

Claro que não podemos exigir que uma sociedade cega dessas, descrente de tudo que não se possa ver, leve isto em consideração. Mas é necessário refletir sobre o porquê a história das parteiras ser de tanto sucesso e porquê a mortalidade materno-infantil não caiu com o advento da dita “tecnologia”. Que, por sinal, veio para "salvar" as poucas que a natureza não conseguia e, ao invés disso, foi utilizada indiscriminadamente, o que acarretou sérios problemas que todos já conhecemos. Então que segurança é essa que não dá resultados? A segurança não deveria advir dos próprios resultados?

Isto porque a conversa até entao é somente bem estar físico, porque se houver uma avaliação integral, incluindo a humanização,a comparação é descrepante.

Então para curar a ferida de uma cesárea e de tudo que ela implica, junto com a cicatriz dão também o rótulo “Parto cesáreo” para que todos sem sintam mais confortáveis dentro da frustração. A mulher porque desejou, o médico porque não correspondeu.

Parto é processo. Parto é como se chamava há milênios e cirurgia é outra coisa. As pessoas não são mais nem menos por terem nascido ou se submetido a uma cesariana, mas não é um nome errado para o procedimento que vai curar a ferida.
Cesariana é uma classificação para uma operação, um procedimento médico, uma medida extrema para uma situação extrema. Parto em hip´´otese alguma é isso.

Digo e repito: as cesáreas são importantes não sô para salvarem vidas fisicamente. Reconhecemos a importância de cesariana até quando não existe um risco de vida claro. Quem vive no campo de batalha sabe disso.

A questão é que as feridas não são curadas com palavras amenizadoras, mas com reflexões e atitudes. Colocar panos quentes jamais resolverão as questões pessoais que uma ferida dolorida implica.

Não existe “parto cesáreo” tanto quanto não existe o cultuado jargão “menos mãe”. Existem, sim, pessoas que passaram por cirurgias - por desejo, necessidade, equívoco ou enganação - para terem seus filhos. Mas isso foi o que a vida ofereceu naquele momento, por alguma razão. Razão individual e intransferível. Ficar triste com quem aponta um problema não é suloção.

Não fiquem magoadas. São só palavras que precisam ser bem colocadas...
Não recuse informação, oportunidade nem a mudança.
Evite preconceitos, panos quentes e autocomiseração. É o espelho nu que nos mostra a verdade, não a pintura de uma bela paisagem.
O conto de fadas acabou, mas a culpa não é de ninguém.
A cura de uma cesárea não é só física, mas nós mulheres podemos lidar com isso e superar. Ainda mais depois que nos tornamos mães!

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