- O parto Natural e humanizado de verdade - A maneira segura e emocionante de ajudar mulheres trazer crianças ao mundo

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Parto no Ninho - Dydy na Pais & Filhos


Depois de ter os dois filhos em casa, Dielly ficou apaixonada pelo momento do parto. Tanto que se especializou em obstetrícia, para ajudar outras mulheres a sentirem o que ela sentiu

Não foi difícil escolher o parto domiciliar. Sendo enfermeira, conheço bem o ambiente hospitalar e eu queria mais do que um parto normal convencional.

Em 2002, engravidei de meu primeiro filho. Não se falava ainda em parto domiciliar. Procurei uma enfermeira obstetra e comecei a estudar e a me apaixonar por esta possibilidade. Queria minha mãe e meu marido por perto.

Não queria cobranças, ordens ou rotinas, mas sim respeito, segurança e, principalmente, paz. Precisava da certeza de que tudo seria como desejei, a menos que fosse absolutamente necessário. E foi o que tive.

Meu primeiro filho nasceu de um trabalho de parto de quase 24h. Doeu, pensei em anestesia, cesárea, mas tinha comigo as pessoas mais importantes de minha vida por perto. O parto foi na água, e assim que meu filho saiu do meu útero, ele veio para meus braços. Nenhum cuidado rotineiro como aspiração, vacina ou mesmo banho eram mais importantes do que aquele meu momento, o primeiro instante que vi meu filho tão esperado.

Sempre tive vontade de reviver aquele sentimento e ser mãe de novo, até que...Em 2007, engravidei novamente. Foi uma gravidez saudável e não quis saber o sexo até o parto, apesar de sentir claramente que seria uma menina.

Era um domingo de dezembro, e depois de uma soneca da tarde com meu marido, acordei com cólicas. Tomei um banho morno e quis caminhar, mas as contrações não passavam. Avisei a enfermeira que faria meu parto, a Helô, só porque prometi, mas não acreditava que estivesse em trabalho de parto. Como eu não sentia dor alguma, diferente do primeiro, não quis acreditar...

A parteira pediu pra eu ficar em casa e logo senti um estalo e alguma coisa escorrer. Quando vi, estava toda molhada: a bolsa havia rompido. Foi quando comecei a sentir um pouco de dor. Colocamos as músicas do Marcus Viana que planejei para o parto e fui relaxar. A Helô chegou em casa umas 23h, minutos antes do nascimento.

Este parto foi muito intenso. Senti dor, mas foi muito rápido. Em meia hora nasceu minha menina, toda envolta em cordão umbilical e cheia de saúde. Meu marido foi a primeira pessoa a tocar nela, ele a trouxe para meus braços. Nós a beijamos e a abençoamos. Foi muito especial.

Sou apaixonada pelo momento do parto. Eu sempre digo que o parto me transformou. No primeiro, dormi menina e acordei mulher. No segundo, dormi mulher e acordei deusa. Até a dor é importante.

Mas o que difere um parto normal hospitalar de um parto domiciliar é a liberdade. Já assisti vários partos hospitalares, mas nenhum deles foi natural, a começar por serem fora de casa, fora do ninho, ao contrário de qualquer outro mamífero.

Dificilmente há alguma privacidade, habitualmente há indução com ocitocina no soro, o que torna as dores insuportáveis, sem contar os procedimentos agressivos. E o pior é que raramente esses procedimentos são necessários, em detrimento da freqüência com que são realizados.

Meus partos mexeram tanto comigo que me especializei em obstetrícia e hoje ajudo outras mulheres a sentirem tudo que senti. Talvez por gratidão ao universo, talvez por dom. O fato é que o nascimento não é um evento médico: é natural e sagrado.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Na TV!

Acesse o link e veja nossa entrevista sobre o Curso de Preparação para o Parto gratuito ministrados por mim e minha parceira teresa!

sábado, 11 de setembro de 2010

Desfazendo A Cultura para Mostrar a Verdade

Quantas e quantas vezes a vida dos humanistas se ocupam de explicar (leia-se provar) que o parto normal é bom, as indicações reais de cesárea e que ambas as “modalidades” não são uma simplista questão de escolha... Ah e que, ao contrario do que lhes fizeram acreditar a vida inteira, a cesárea da sua mãe tem tudo para ter sido, em poucas palavras, completamente desnecessária.

Eu gostaria de ter respostas simples e rápidas, pois nunca dão muito tempo para presentear com o espelho que provaria a imersão num sistema tecnocrata de tão mergulhados na cultura de incapacidade fisiológica e medo. Mas não tenho poder para te mostrar que não só a ciência está ao meu lado, mas também a lógica. Não esta “lógica” que aprendemos com a TV, mas o curso natural da vida.

Qualquer que seja o discurso, científico ou romântico, somos cortados com um “Mas então pra você não existe indicação de cesárea?” (e minha cara de paisagem).

Mais difícil é ainda falar sobre um assunto que, senão casais grávidos e alguns profissionais, ninguém além quer saber a respeito. Criticar a “forçação” do parto normal é uma regra, mas a forçação sem aspas da cesárea é inquestionável.

Falar sobre o que é óbvio é uma redundância. Mas ser redundante em nossa sociedade quando o assunto é abolição à cultura imposta é serviço para Chucks Norris da persistência... Mas vamos lá... Mais uma vez (ainda que não seja a última...):

- Não ter passagem. Uma desculpa clássica para justificar que mulheres, até mesmo sem entrarem em trabalho de parto, sejam levadas à cesariana, mais rápida e fácil para quem tem habilidade. Raramente (raramente mesmo) uma mulher não consegue se abrir para deixar passar seu filho. Isso pode (e deveria) ser identificado no pré-natal, mas infelizmente “não dá tempo” de entrar em questões tão profundas e dispendiosas emocionalmente. Algumas vezes a coisa é escrachada: 4h de “Trabalho de parto” e cesárea porque o bebê não nasceu. Noutras, uma serie de procedimentos precipitados e, tantas vezes, ultrapassados que culminam com um pesado “Você não conseguiu, eu vou conseguir por você”, digo, “Vou operar você”. Enfim, não é tão fácil assim não ter passagem de verdade.

- Cordão enrolado no pescoço. É compreensível que as pessoas achem que o cordão seja uma corda rígida capaz de fazer uma forca fatal para o bebê. Mas cerca de metade dos recém nascidos apresentam esta característica e ela raramente acarreta problemas para o nascimento. A grande maioria se desfazem com uma manobra simples (parecidíssima com a que você usa para tirar um cordão com a vantagem da lubrificação). Muitos fetos apresentam, inclusive, várias voltas ao pescoço, sem qualquer prejuízo à sua saúde. Os receios se remiriam assim a uma quantidade extremamente reduzida de cordões realmente apertados, onde há o que se fazer para que o bebê nasça um pouco mais rápido. Nunca vi, mas acredito que seja mais rara ainda a incidência de conceptos que não tenham sobrevivido. Isso não justifica expor milhares – talvez milhões – de mulheres e seus filhos a uma cirurgia eletiva com todos os riscos que lhe são peculiares.

- Passando da hora. Existem dois tipos para o rótulo “passando da hora de nascer”. O primeiro tem a ver com a longevidade da gestação, o segundo com o tempo de trabalho de parto. Por causa disso, vemos nossas amigas permitindo suas cesáreas serem marcadas com – estourando – 40 semanas ou concordando com a indicação da cirurgia após poucas horas de um duvidoso diagnóstico de trabalho de parto. Apesar dos bebês terem seu tempo, foi estabelecido um limite razoável de 42 semanas de gestação e, nestes poucos casos, o indicado é a indução (Feita corretamente, por favor). Para tranqüilidade de todos, pode-se fazer cardiotocografia a partir de 40 semanas. No caso de trabalho de parto prolongado, a avaliação fetal é O fator que deve ser levado em consideração prioritariamente e avaliar muito cuidadosamente a parada de progressão para diferenciar de progressão lenta, esta segunda mais comum. O excessivo “medo de passar da hora” não se justifica quando avaliado criticamente. Não é comum que os limites da hora do bebê sejam ultrapassados, mas na contramão, infinitas cesáreas são “justificadas” assim.

- Bebê sentado. Ou pélvico. De fato, não é um parto que os profissionais gostem de assistir. É uma distócia per se e apesar de raro a temida cabeça derradeira é um fantasma que nos assombra. Desde a faculdade, todos ouviram alguém falar que um conhecido do conhecido do conhecido pegou uma “cabeça derradeira” e fez de tudo para salvar a criança. Bom, eu também conheço um cara que passou por isso e também fiquei assustada. Em minhas “pesquisas’, conclui que o que provoca essa complicação habitualmente são exatamente o medo e a pressa compreensível por sinal. Não é tão comum bebê pélvico a termo para que se tenha larga experiência com isso. E o segredo é exatamente contrario: colocar a mulher numa posição favorável – de quatro por exemplo - e: deixar o bebê vir. Em casos extremos, instrumentos e até manobras serão necessários. O problema é que com 30 semanas já há quem esteja pensando em cesárea por apresentação pélvica ou até antes disso. É provável que o bebê vire sem intervenções, mas há quem lance mão de acupuntura, moxa, posições e exercícios, podendo até realizar a Versão cefálica externa, onde o obstetra vira o feto manualmente, com 37 semanas que – não compreendo o porquê – raríssimos obstetras sabem fazer. Há mais falácia sobre o assunto do que problemas com ele em si.

De qualquer forma, a cesariana não deveria ser vista como uma via banal de nascimento. Escolher passar por uma cirurgia não é uma escolha qualquer. Não é como optar por um estilo de roupa, nem como preferir uma pessoa à outra. E suas indicações sérias e reais não são comuns. Jamais justificariam os 90% das cesarianas realizadas nos hospitais particulares.

Descobrir a verdade sobre a obstetrícia brasileira é decepcionante e difícil.
É preciso muito mais do que confiança no profissional e um bom plano de saúde.
Cesárea não é brincadeira. Não opte sem pelo menos conhecer de fato.
Boa sorte em sua busca.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

“Parto Normal Demais”


A inserção da cesariana na nossa cultura provocou uma inversão de valores que jamais seria conseguida se tivesse sido cuidadosamente planejada.

A cesárea, antes temida, agora é um procedimento corriqueiro pelo qual a maioria covardemente esmagadora das mulheres de classe media e alta passa sem questionar. Como se, ser operada para o nascimento de um filho, fizesse parte do curso natural da vida.

E hoje em dia, pouco importa o que diz a ciência quando não nos importamos com nossos próprios processos fisiológicos, quando terceirizamos a tutela de nossa saúde e delegamos o poder sobre as decisões essenciais, nos tornando senhores de nossas vontades fúteis sem qualquer vinculação com suas conseqüências.

A cultura se transformou tanto que uma cirurgia de grande porte se tornou mais comum e corriqueira do que - o antes - processo natural de parir, este sim parte inerente a vida das mulheres de outrora.

E aí se instalou uma certeza nas mentes, femininas e masculinas, de nosso país: “cesárea salva e parto normal mata”. Como se parto normal até fosse melhor, mas, à menor dificuldade, lá estava a cirurgia salvadora para corrigir os erros – hoje “tão comuns” = da natureza.

Pouco importa o que diz a ciência e ignora-se a racionalidade: as mulheres são defectíveis demais é a idéia que impera na nossa sociedade sexista e simplista.

De nada adiantará citar OMS, Ministério da Saúde, Cochraine, Obstetrícia Baseada em Evidência. Tudo o que realmente interessa é a cultura arraigada, inquestionável, a lei do menor esforço e do capitalismo e a deusa tecné acima de qualquer suspeita.

Então nos deparamos com frases como “Fazem parto normal a qualquer custo”, quando os números dizem exatamente o contrário. E eles também são desprezados.

Julgamos e condenamos sumariamente o parto normal, pois a natureza “precisa” de tutela. Torturamos com palavras tudo o que nos causa repulsa sem jamais refletir sobre o que de fato estamos criticando.

Há mais indicações de cesáreas entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia.

E enquanto não transformamos nossa forma de ver o mundo e a nós mesmos, nem a forma de nascer nem o mundo mudarão.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Preparar-se Para Cesárea

Dizem que a mulher que deseja muito parir, deveria se preparar para o caso de vir a passar por uma cesariana.

Antes de refletir e escutar algo determinante sobre isso, também caí no piegas "preparar-se para o pior", mas vamos pensar juntos sobre o assunto.

Imagine que você encontrou o homem da sua vida. Ele está igualmente apaixonado e ansioso por você. Decidiram se casar na igreja com toda pompa a que tem direito. Está tudo pronto e lá está ele no altar admirado com sua beleza e não se contendo em si de tanta alegria. Vocês chegam até o padre que diz: "Olha, tudo bem eu até faço esse casamento se é o que vocês querem, mas não vou enganar ninguém não. A chance de de dar em divórcio em nossos dias é muito alta. Então vamos jogar limpo: ambos têm que se preparar para o caso de pegar o outro na cama com outra pessoa, para aturar mentiras e inúmeras diferenças que provavelmente acabarão com os sonhos que construíram juntos. E pode ser muito pior do que estou dizendo. É isso. Não quero ver ninguém chorando e sofrendo depois porque eu avisei!"

Apesar de ambos serem possibilidades - a separação e a cesárea -, não podemos deixar de sonhar intensamente com o sucesso desse casamento e desse parto, só porque em alguns casos fatalmente dará errado.

Não há como se preparar demasiadamente para o que não está nos planos.

Mas se o que não desejamos acontecer, a dor é inevitável. Como em toda decepção, teremos que sofrer, compreender, reconstruir e, ás vezes, se reinventar para resolver e cicatrizar a ferida que não é só física.

Eu gostaria muito que as mulheres já viessem preparadas ou memso de saber prepara-las, mas isso é uma grande ilusão. Devemos sempre falar sobre as possibilidades, mas o tempo de um porfissional com a mulher deve ser usado, em sua maior parte, avaliando sua saúde e empoderando-a.

Não há como preparar-se para o que consideramos ruim. Sabemos que pode acontecer, mas acredito que pedir para esperar o que não queremos, seja algo incoerente demais para pedir.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Deixar Acontecer

É um grande desafio deixar as coisas acontecerem naturalmente. Ficamos internados em universidades por vários anos, aprendemos manobras salvadoras, técnicas que nos fazem sentir importantes, as pessoas nos fazem sentir tão especiais por isso e aí vem um bando de mulheres dizer que buscam exatamente o contrario!

Nós estudamos muito para que digam que não devemos fazer nada, que muito poucas mulheres precisam e fato precisam de nossos conhecimentos altamente especializados. Mas é assim que deve ser.

Não intervir é um exercício. No estilo mais tradicional "Orai e Vigiai".
Mais importante do que saber fazer uma episiotomia, é saber não fazer uma.
E é muito mais difícil aprender a não fazer do que aprender a fazer.

Falar de fora é fácil, mas saber que uma “traçãozinha” seria o suficiente para o bebê acabar de nascer é um grande desafio. Ainda mais se por perto estiver algum profissional tenso e se não der para identificar sinais de como o bebê está naquele momento.

No dia a dia da obstetrícia, infelizmente não vemos apenas nascimentos maravilhosos. Um apgar baixo, um silencio ensurdecedor, cobrança, rótulo e nada que se faz é suficiente.
Nem para os outros nem para nós mesmos.

Queria saber quem vai ter dificuldade, que sinal prediz o que, como reconhecer o que há de mais improvável, onde está a máquina do tempo para fazer diferente?...
São muitas perguntas sem respostas.

Não é fácil lidar com vida... E morte.
Mas deixar a vida acontecer em paz é nossa obrigação. Não podemos oferecer mais às mulheres do que intervir quando realmente necessário e deixá-las parir lindamente quando não for.

Há mais distância entre o céu e a terra do que supõe nossa vã obstetrícia.
Não é fácil, mas precisa ser feito.
Na esperança de deixar esse legado, de deixar nessa Terra seres humanos vindos de nascimentos mais serenos, seguros e dignos, continuamos persistentes em nosso duelo interno.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Decidindo Parir

Risco é há em qualquer atitude, em qualquer momento, em qualquer circunstância e em qualquer lugar. Quase sempre decidiremos pelo menor risco ou pelo que é mais cômodo ou ainda pelo que acreditamos ser melhor culturalmente mesmo que de fato não seja... Como no caso de escolha por uma cesárea eletiva.

Nossas escolhas não são livres de preconceitos, propaganda e medo. Não podemos fantasiar mais sobre isso. Todas as opções sofrem influência da cultura e da época em que acontecem.

Neste ponto de vista, nos enganamos ao acreditar cega e absolutamente que nos libertamos, quando na verdade apenas trocamos de dono.
Antes o pai, depois o marido e agora uma mistura perigosa de “não saber”, acomodação, orgulho e vaidade.

Esta cegueira também está presente quando acreditamos que, para parir, basta olhar no catálogo do plano, querer e mais nada.

Ninguém sabe ao certo o que se precisa para parir, mas as estatísticas comprovam: é muito mais difícil do que parece... E do que deveria ser.

A grande maioria simplesmente agradecerá a Deus e ao “doutor” a misericórdia pela dor ou a salvação de sua vida. As algumas outras não aceitarão qualquer explicação... Se arrependerão e lamentarão profundamente a substituição da maior manifestação da vida por uma sala fria, conversas paralelas e distanciamento da pessoa mais importante, naquela que tinha todo para ser a noite mais emocionante de sua vida.

Há quem não ligue para isso, “afinal estão todos vivos”...
Há quem não compreenda o quão grandiosa pode ser a natureza.

Onde e com quem parir são sim escolhas fundamentais para o tipo de nascimento que você dará ao seu filho. Quem planta feijão, não colhe milho. Mas é necessário saber e acreditar antes de plantar.

A ignorância é um bom argumento, mas não contém a máquina do tempo.
A dureza financeira conta, mas não pode atrapalhar o parto que você merece ter.
A falta de apoio atrapalha, mas é preciso tirar forças de si mesma para ter suas próprias conquistas.
Então estas são questões não deveriam ser consideradas determinantes quando refletirmos sobre o leite derramado mais tarde.
Porque o que determina seu parto é o que construímos, é o que estamos dispostos e o que fazemos.

Sinta-se segura e a vontade para escolher, desde que seja de fato uma escolha.
Viva intensamente este momento que se repetirá tão poucas vezes.
Porque é agora que fazemos nossa história.
Seja ela de glória, arrependimentos ou do que mais escolher no catálogo da vida.

sábado, 3 de julho de 2010

Se você Quer Mesmo Um Parto...

Resolvi escrever este post porque, no português claro, eu não agüento mais assistir passivamente mulheres que manifestam um desejo verdadeiro por um parto natural, sendo levadas para uma cesárea desnecessariamente e se conformando logo em seguida, afinal todos estão vivos... Como se sobreviver a um processo biológico fosse tudo de bom que pudesse acontecer neste momento.

Vou dizer mais uma vez:
Quem quer um parto normal, não pode ter como obstetra um cara que faz cesárea em todas as suas amigas! Não adianta fazê-lo prometer, porque ficamos muito vulneráveis no trabalho de parto.

Você precisa é ter alguém que te levante quando você chorar como menina implorando pela cesárea que não deseja. De alguém que esteja ao seu lado e diga que você está indo bem e que se emocione com sua conquista quando esse bebe estiver em seus braços!

Não tente transformar ninguém. Muito poucas pessoas estão abertas a mudarem suas práticas e até mesmo disponíveis para interromperem um jantar romântico ou acordar no meio da madrugada. Ele não vai mudar só para que você tenha o parto que deseja...

Não exija o serviço que o profissional oferece!
Compre “o produto” de que sabe fazer!
Mude você!

Por que é tão difícil mudar de obstetra para parir? Vínculo? Medo? Dúvida? Ninguém pode fazer esta escolha por ti. Então saiba que as vezes precisamos dizer não e correr com nossas próprias pernas, nos responsabilizar pelas glórias e conseqüências de nossas decisões.

Vou contar a história que sempre conto às grávidas que querem, porém não conseguem mudar de obstetra: Imagine que você é uma religiosa ferrenha, super discreta e precisa ir a um evento. Vai a uma loja de vestidos, onde todas as suas amigas saíram de lá com vestidos diferentes do que pediram, mas pelo menos sobreviveram. Mesmo assim você vai e pede um vestido preto, sem detalhes, reto. Mas a vendedora que é a melhor da loja (vende qualquer coisa que queira) lhe vem com um tubinho modernérrimo de estampas havaianas, com babados e lantejoulas amarelas. Você até assusta de início, mas ela fala de todas as vantagens das cores fluorescentes, da beleza dos cintilantes e que é a ultima moda em Milão. Você não querendo ser desagradável - porque ela é muito legal e te conhece há anos -, insiste no preto educadamente sem conseguir se imaginar vestindo aquela fantasia de carnaval que ela quer que você compre. Então você diz que vai pensar. Volta lá várias vezes, afinal vocês são amigas, e ela sempre vem com a mesma peça. Como não existem muitas lojas na cidade, já esta chegando o grande dia e falam muito mal de um certo vestido preto que comparam rasgado e a mulher ficou nua no meio da festa, você resolve comprar o da sua amiga (sai até mais barato) e vai a festa. Acontece tudo que você não queria: fica engraçadamente sexy e vira o centro das atenções. Mas não tem problema, pois tem um monte de gente que se veste assim e essa noite só vai durar algumas horas. Amanhã vai estar tudo bem. O importante é que você está viva.

Mas a diferença é que o parto e a sua vida são muito mais importantes do que um vestido.

Informem-se, reflitam, descubra o que querem, o que precisam e depois busquem no lugar certo... Porque parto é algo que vivemos muito poucas vezes na vida para que seja de qualquer jeito.

Faça você a mudança que precisa em sua vida.
Ou deixe as coisas como são e pronto.

Só as peço que me façam acreditar quando vocês tiverem decidido por si mesmas.
E eu ajudarei com o maior prazer e satisfação do mundo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Uma Longa História

Meu relato sobre o aprto da Renata dias Gomes
Este caso começou há mais de seis anos com uma graaaande barriga, uma escritora de novelas e a maior anemia que vi na vida.

Aquela criança com cara de criança de sobrenome intrigante (Dias Gomes) estava então grávida de sua menina, Maiara, que veio fácil de um parto longo, mas não sofrido... E de cócoras.

Eu a aconselhava pelo MSN e desde sempre percebi toda sua gratidão. Nos conhecemos pessoalmente, “imprevisivelmente”, num encontro da Fadynha em novembro de 2004.

A Renata sempre foi uma das mulheres mais originais e espontâneas que conheci. Queria ser autora de novelas e simplesmente conseguiu. A coisa deve estar no sangue!

A amizade ficou e apesar dela não saber se algum dia viria outro bebê, eu sabia. Agora é fácil falar tanta coisa, mas isso eu sentia muito claramente.

Então ano passado com pouquíssimas semanas, ela me contou que estava grávida e que queria minha presença em seu parto. Tão cedo ela já havia decidido onde teria seu filho, quem estaria lá. Só não sabia como seria, porque não tinha jeito.
Fiquei feliz e extremamente lisonjeada por saber que eu era uma das “coisas” que ela queria.

Nos vimos uma vez na gravidez, mas valeu por várias... 5h de consulta rs! E o MSN religiosamente, claro.

A Maiaira nasceu com 38s4d, no dia 20 de abril, um dia depois do pai. Todos pensávamos que o Tom nasceria num destes dias ou na seqüência. Mas o Tom, filho de quem é, tinha que surpreender.

No meio disso tudo, aconteceu a tal enchente no Rio. Ninguém ia a lugar algum. Mas para ele, seria muito previsível nascer assim, então, de maneira inteligente, esperou o momento certo.

Paramos – mas nem taaaanto assim - de fazer apostas de datas, porque tudo que cogitamos não se confirmou... Apesar de eu ainda divagar sobre o fato de que os partos que acompanho no Rio tem acontecido de 4 em 4 meses, exatamente no dia 26.

E na manhã deste dia, vi uma mensagem do Lipe no twitter “É tranqüilizador quando sua mulher quase parindo te diz ‘Amor agora vai’!”

Fiquei preocupada demais com a possibilidade de não chegar. Ela sempre existe, mas além da dificuldade natural, o trânsito estava muito engarrafado.

Por volta de 11h, a Renata me ligou contando que já havia sido avaliada pelo obstetra e que estava com 5 pra 6 de dilatação. No parto anterior esta fase se desenrolou em 1h...

Enfim cheguei à sua casa e depois ao seu quarto onde a encontrei relaxada e a vontade em sua pequena piscina. Vi o Chico assim que cheguei pela janela. Fiquei feliz por estar ali.

A Renata para mim é uma amiga e eu nunca havia participado do parto de uma amiga. Enfim eu estava pronta para ajudar aquela mulher que, de tantas formas, me ajudou.

O Chico procurava ficar fora do quarto para deixar todos a vontade e isso foi muito legal. Ele não estava no cômodo, mas conseguia se fazer presente.

Foi muito diferente acompanhar o trabalho de parto da Renata porque ela é toda diferente! Enquanto com as outras mulheres, eu tento falar o mínimo possível, fazer com que ela entre em si e viva intensamente seu parto, com a Renata essas teorias não são aplicáveis e esta foi mais uma lição: as mulheres podem ser muito diferentes até mesmo em momentos tão – aparentemente apenas - biológicos.

Ao contrário de todas as mulheres, a Renata buscava nossos olhares para conversar. Queria saber o que falávamos entre nós, queria trocar... E só entrava em seu parto a cada contração. Neste momento fazíamos massagens, silenciávamos, apoiávamos.

Quando as contrações passavam, ela não parecia estar em trabalho de parto: parecia uma criança pela primeira (ou segunda) vez num parque de diversões. A Renata se divertiu em seu parto. Curtiu cada instante. Me mostrou que a mulher pode nos dar uma segurança, além da técnica, de que tudo vai dar certo. E que eu devo confiar nela, porque a natureza sempre está certa.

Os intervalos começaram a ficar curtos. O Lipe foi o marido-assistente de parto-domiciliar dos sonhos, fez tudo, tudo certo. Se desdobrou em mil e sequer tropeçou em seu medo (se é que existia) para que eu o considerasse um marido comum. Porque ele não era apenas isto. O Lipe foi o companheiro forte e calmo que por dificuldades biológicas, não emocionais, aguardava ver um filho nascer há 6 anos! O amor e a sensualidade da união, para mim de alguma forma, contribuiu muito para o parto.

Entre uma contração e outra, ela me debochava de mim falando que eu era muito fresca porque dizia que meus partos foram doloridos. Eu achava muito engraçado uma mulher com 9 de dilatação ter condição de ser irônica. Foi essa intimidade, sinceridade e clareza que nos aproximaram.
A bolsa só então rompeu.

Próximo ao parto, a bateria da câmera acabou e a energia elétrica também. Nada de youtube! Lamentei porque outras mulheres nunca conhecerão a mulher que eu conheci aquele dia. Mas não as furtarei de saber através do que eu tenho a dizer: não só ela, mas eu também vivi uma grande emoção aquele dia.

Estávamos todos em perfeita sintonia. Quando o Tom começou a descer.
A esta altura (quando realmente resolveu vir, depois de mais de 2h de expulsivo), ele veio em poucas contrações. 3 ou 4, quando a Renata pela primeira vez gritou. Ele veio lindo... todo enrolado em seu precioso cordão.

O Chico o entregou à mãe, ainda dentro dágua, apoiada por trás pelo Lipe. Apgar 1000.
Estávamos todos em êxtase. A ocitocina é de fato contagiosa!

O Tom foi para o colo da mãe que dizia aquelas “palavras pós parto” de mulher empoderada...”Nós conseguimos, meu amor! Nós fizemos tudo certo... Eu não te disse que ia ser assim?”
O pai cortou o cordão vários minutos após a chegada do Tom.

O pai da Renata só chegou depois e não acreditava no que via porque tinha muito receio de parto em casa. Mais tarde chegou a irmã mais alegre do mundo e a paixão de uma vida inteira. Foi emocionante ver a primeira troca de olhares de um amor que jamais terminará. Companheiros, parceiros e amigos... É isso que os grandes irmãos são.

A Renata sentiu muito frio logo depois e a deitamos na cama para cobri-la. Colocamos novamente o Tom junto a ela e, sem dificuldades, ele mamou.

A placenta levou mais tempo que o Tom para nascer: 3 horas. Mas veio sem problemas.
O Chico então se foi.
Tiramos fotos de tudo que é jeito. A Maiara estava tão feliz. A Renata estava tão feliz. Eu estava tão feliz!

O parto demorou mais do que todos pensávamos, mas eu não tive medo. Aprendi muito com esta família e sei que a recíproca é verdadeira.

Este parto me trouxe muita motivação e fé. Não fé religiosa, mas fé de confiança. Fé de que as coisas quando vão dar certo, provavelmente darão seus sinais. E que alguns aspectos como a sexualidade têm absolutamente TUDO a ver com o parto.

Deixei aquela casa por volta de 19h extasiada, completamente inundada de coisas boas.

Alguns dizem que foi sorte... Não acredito em sorte e só quem vive uma experiência assim pode compreender que parto e maternidade não podem ser reduzidas a sorte e azar e que entender isso é questão de tempo.
Eu sempre curto, vai, mas tenho que dizer que amei esse parto.

Eu não assisto novelas, mas daqui de longe a partir de agora, vou assistir sua excitante, simples e surpreendente vida. Mas jamais como uma expectadora imparcial.

sábado, 26 de junho de 2010

Enganada Eu?

Muitas vezes os profissionais humanistas, ou seja, aqueles que acreditam no poder do corpo humano, mais especificamente no feminino no parir, têm que escutar das mulheres que terão que fazer cesárea, apresentando um motivo que não é indicação de cesárea ou mesmo explicando sua cirurgia com argumentos ingênuos, decorados, preconceituosos e defensivos.

Quando isso acontece, alguns tentam usar as palavras certas para que a mulher tire sua próprias conclusões, pois é muito complicado ser antiético, as vezes, publicamente com um colega, mesmo quando ele foi descaradamente antiético com uma cliente...

Sim, porque não há outro nome para submeter uma pessoa a riscos 6 vezes maiores para si e seu filho, em nome de organização de agenda, liberdade e até de dinheiro.

Por que não falar em dinheiro?
Adoram dizer que os humanistas cobram caro... Mas um profissional humanizado acaba ganhando menos do que um cesarista, porque é obrigado a ter muito menos gestantes e assistir muito menos partos, já que não tem dia nem hora para fazer. Além de uma vida pessoal tensa, pois a qualquer momento pode haver um chamado. De 37 a 42 semanas, nada de noitadas e viagens. Hão de estar prontos a qualquer tempo. Quem se dispõe a fazer isso?

Para muitas pessoas, o importante é estar com a razão, independente da razão estar com elas. Diminuir os outros, ajuda a nos manter na zona de conforto.

Imagine como deve ser difícil para uma mulher que sonhou todos os dias de sua gravidez com este evento biológico supremo, este momento emocional sublime, escutar do profissional em que confia que vai ter que marcar a cesarárea pra semana que vem, porque o cordão está enrolado no pescoço e se o bebê não fosse “tão” grande, daria. Ou pior: em pleno trabalho de parto, dizer que já foram longe demais e que agora o risco é por conta dela.

É compreensível que esta mulher viva seu luto e até mesmo que acredite que sua cesárea salvou a vida do seu filho. Mas quando olhamos as estatíticas de seu profissional (90% de cesáreas), vemos que esta cesárea não apenas não salvou sua vida, mas, ao contrário, a expôs a um risco ainda maior.

Admitir ter sido enganada não é fácil e não é para todas. O fato é que uma porcentagem muito, muito pequena das mulheres que tiveram cesarianas, realmente precisaram e dificilmente você foi exatamente uma delas.

Mas algumas destas, vão buscar bravamente as verdadeiras indicações da sua cirurgia. Algumas mal se recuperam de sua cesárea para ir atrás e o que é mais legal: procurando sua responsabilidade nisso tudo.

Quando as coisas não acontecem como sonhamos, lidar com a frustração no meio de tanta emoção é delicadíssimo. O parto pode não ter acontecido, mas a mãe está nascendo exatamente neste momento.

Deixar pra lá esta grande questão por não poder voltar no tempo é uma grande besteira, pois é a ferida que faz nascer a pérola da ostra. A cicatriz emocional é muito mais profunda do que a marca deixada no coração... Selada por sentimentos de incapacidade e traição imensuráveis.

O luto é individual, mas o apoio sem "coitadismo" pode e provavelmente renderá bons frutos. Renascer do caos faz parte de ser mãe. Ainda há muito a fazer: amamentar, educar, ensinar... Mas não há lição que possamos nos dar o luxo de desperdiçar, sem reflexão, achando que as coisas são como são e ponto final.

Para aquelas que ainda podem acertar, eu quero dizer algumas coisas.
Muitas não acreditam nas coisas que dizemos. Acham loucura e radicalismo parir em casa e que parir em hospital com um médico do plano não pode ser tão difícil assim. Porém, já assistimos incontáveis vezes a mesmíssima história. Tenha ao seu lado profissionais que lhe tragam coragem e força até mesmo quando você não acreditar mais. Esteja num lugar onde a fêmea mamífera dentro de ti possa desabrochar em sua glória. Não tome a decisão dos outros, porque o parto é seu e nada pode trazer mais satisfação do que trazer um filho saudável por você mesma.

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