- O parto Natural e humanizado de verdade - A maneira segura e emocionante de ajudar mulheres trazer crianças ao mundo

sábado, 18 de outubro de 2008

Partos Agressivos

Seria irônico se não fosse trágico, quando alguém quer contestar minha paixão pelo parto natural dizendo que dói ou que é muito agressivo...

Primeiro tenho que dizer que em partos tradicionais as mulheres passam sim por procedimentos altamente invasivos, como episiotomia ou cirurgia cesariana e não entendem como posso achar o parto a melhor coisa do mundo.... Comparado com o tradicional, o tipo de parto que escolhi e pelo qual luto é uma benção.

Qualquer um que tenha assistido a uma cesárea se dá conta de que aquilo não é nada natural, mesmo que já tenha sidi banalizada.

Sabemos que as vezes é necessária e, se fosse usada com o propósito de salvar vidas, jamais estaríamos aqui discutindo esse assunto. Mas como a verdade é bem outra, questionar é uma obrigação.

Esses dias numa palestra sobre parto natural, um rapaz ironizou quando eu disse que o parto natural doía, mas não causava sofrimento. Sei que é difícil para a maior parte das pessoas compreender isso. Aliás, pouca gente questiona esses clichês sociais. É só parar pra pensar: é obvio que não é a mesma coisa.

Mas eu compreendo que os partos que ele assistiu foram os tradicionais, com procedimentos altamente intervencionistas e, assim, sua conclusão é tendenciosa, parcial. O que não entendo é porque insistiu em contestar a minha experiência, que ele nunca viu nem viveu.

Eu pensaria duas vezes para escolher entre um parto tradicional e uma cesárea para mim.
É porque os partos hospitalares normalmente não tem nada a ver com partos naturais. A começar pelo local que nem de longe lembra uma casa, um ninho a que todos os mamíferos recorrem para parir.

Como poderia não doer?... São tantas luzes, barulhos, regras, ordens, medos, procedimentos, jalecos, aparelhos, exposição, gente e mais gente... Tem que doer!

Mas num nascimento humanizado não há esse tipo de estresse. Então há este desconforto durante as contrações, mas ele vem e vai com elas.

A cesárea dá uma falsa sensação de segurança, pois há no mínimo 3 médicos à sua disposição (obstetra, auxiliar e pediatra), 1 enfermeira, 1 auxiliar e 1 instrumentador, aparelhos de monitorização com seus sons tecnológicos, instrumentos metálicos...O que não se divulga é que todo este aparato serve para minimizar os riscos peculiares a uma cirurgia de grande porte.
O risco está lá pra todo mundo ver, mas ninguém olha.

O parto domiciliar é hoje equivocadamente visto como perigoso, confundido com
uma assistência negligente, o que é um absurdo porque o profissional acompanha integralmente o trabalho de parto, o que dificilmente ocorre em partos hospitalares.

Então para começar a entender o parto natural, esqueça tudo o que sabe sobre ele. É mais fácil partir deste ponto e se informar para então poder ver a verdade.
Esta surpreendente boa nova do nascimento.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Boas desculpas para não ser perfeito

Nunca me conformei muito com o fato de algumas pessoas não buscarem qualquer informação antes de engolirem goela abaixo intervenções grandes e sérias, envolvendo seu próprio corpo.
Uma frase que deveria ser abolida da vida de qualquer ser empoderado é “São ordens medicas”. O poder dela é comparado a uma condenação jurídica por um crime importante, mas surpreendentemente muitos aceitam sem questionar. É como se não houvesse outra possibilidade a não ser “obedecer” àquele que “estudou para isso”.
Quando uma mulher conta aquelas historias clássicas de cesárea desnecessária, eu lamento profundamente, ainda mais porque elas acreditam ou necessitar acreditar naquilo.
“Não tive passagem”, “O cordão estava enrolado”, “Estava passando da hora”, “O bebê estava sofrendo”, “Meu útero era assim e assado”, “Eu sou muito baixa/alta”, “O bebê era muito grande/prematuro”, “Eu estava sofrendo muito, então o médico disse que não iria arriscar”.... ARRISCAR? E tantas outras...
Será que nossas mulheres não podem sequer ajudar a decidir por sua vida de parto? Falam tanto em “direito de escolher a cesárea”, mas nunca dão este direito àquela que quer parir. Ou seja, ela pode escolher quando a escolha for cesárea, mas quando for parto normal, quem escolhe é o profissional. Isto é, se não houver qualquer intercorrência, porque a mínima alteração é uma boa razão.
O corpo feminino é perfeito. Se concebeu, é capaz de parir!
Nada que possam dizer ou fazer nos transformará em mulheres-bomba. O parto é sempre uma surpresa, mas só porque não têm controle, não significa que sejam ruim. É uma surpresa boa.
Além do mais, é uma grande ilusão acreditar na segurança e controle de uma cesárea eletiva.
E as cesáreas de emergência? Como podemos aceitar estas tantas cesáreas de emergência pra semana que vem! Emergência é na hora, senão não passa de negócio... No horário comercial de preferência.
Felizmente há um “novo” modelo de mulher (e de homem) chegando para ficar. São pessoas instruídas e que não aceitam decisões autoritárias só porque não são médicas. Aliás, normalmente não é necessário saber muito para parir, senão que você é capaz.
Questionar e se informar são a solução para todos os mistérios por tras de elitizados e dominadores termos técnicos.
E as pessoas estão sutilmente reagindo ao modelo tecnicista de parto. Uma forte demonstração de maturidade social.
Cada vez mais gente informada, cada vez mais enfrentamentos, cada vez mais a mulher reassumindo seu poder.
Que orgulho....

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Uma bela segunda Chance

Há uns 3 anos, no PSF durante uma consulta para exame preventivo, conheci uma moça que darei o nome de Sofia. De cara, houve uma simpatia e confiança recíprocas. Durante os questionamentos rotineiros, perguntei sobre já ter tido sua primeira vez. Ela até tentou contar somente o essencial sobre sua vida sexual com o então namorado. Mas logo isso deixou de ser possível.
Eu não estava preparada praquilo.
Aos 8 anos, depois da escola, seus irmãos foram embora mais cedo e ela ficou brincando com umas coleguinhas ali perto. Ela só se lembra que, de repente, alguém a agarrou por trás e de ter acordado no hospital machucada. Simplesmente não se lembrava de mais nada e não sabia o porquê. Aquele ser a violentou tão gravemente quanto nas notícias que lemos em jornais sensacionalistas sanguinários.Com lágrimas nos olhos, mostrava sua incompreensão diante daquele ato sem demonstrar qualquer traço de ódio por aquele homem que ela jamais saberá quem era.Eu, pega de surpresa, não sabia que feições usar, que gestos fazer, que posição tomar...

E ela, em sua sabedoria simples, compreendeu.Contou que este era um assunto proibido na família. E há 10 anos, sufocava esta dor, solitariamente. Estava no seu limite emocional e chorava copiosamente.Foi uma das minhas passagens profissionais mais intensas e tocantes até então.

Desde este dia, nos vimos poucas vezes, mas em nosso olhar, é como se sempre trocássemos algo, como se soubéssemos algo muito íntimo sobre a outra, dividíamos o nosso segredo como duas amigas de infância.Ela se mudou de bairro e eu de PSF e novamente caímos no mesmo lugar, enfermeira - paciente - amiga. Agora ela estava grávida, falando bem de mim para as outras gestantes num momento em que isso era importantíssimo, e eu amei revê-la e ter a chance de cuidar mais um pouquinho daquele corpo e daquele coração tão feridos.Ela depositava em mim todas as fichas. E eu me aproveitei disso para lhe fazer o bem que eu precisava fazer a ela.

Dei meu celular, como não tenho o hábito de fazer, conversei, orientei e ela sempre fazia tudo que eu pedia. Mas nunca mais falamos sobre aquele assunto. Às quase 35 semanas de gravidez, ela me ligou falando sobre a perda do tampão mucoso. Eu a acalmei e pedi para avaliá-la no dia seguinte. Percebi que o colo estava dilatado praquela idade gestacional e o bebê, já descendo. O obstetra que a avaliou a seguir, concordou e também recomendou repouso.Uma semana depois, a bolsa rompeu, ela me ligou e pedi para ir tranqüila ao hospital. Nem precisei dizer que eu ajudaria em seu parto... Aliás entre nós este tipo de coisa nem precisava ser falado....Fui ficar com ela na maternidade. As contrações ainda eram espaçadas e não muito dolorosas, mas já estava com antibioticoterapia preventiva.. .

Enfim, usei nossos modestos recursos, bola, barra, caminhada e também a deixei um pouco em paz para seu cérebro primitivo trabalhar sossegado.Neste meio tempo, meu marido trouxe minha filhotinha de 9 meses para eu amamentar no hospital e matar um pouco a tradicional saudade. E esvaziar meus dedicados seios.

Eu, há tempos, “enamorava” uma obstetra - já uma senhora, recém contratada, com uma formação tradicionalista, mas muito interessada nas novas tecnologias para o parto natural – deixar parturientes escolherem posições espontaneamente, proteção períneal para evitar episiotomia de rotina, etc.
E Deus é tão bom para os humanistas que era o plantão dela!

Conversei bastante com ela sobre tentarmos assistir o parto da Sofia de cócoras, no leito e que eu faria a proteção perineal. Ela colocou soro com ocitócito e confesso que não tentei impedir porque receava que o parto demorasse e ela indicasse uma cesárea que era tudo que Sofia não queria.As dores ate então suportáveis aumentaram e o parto engrenou definitivamente. O colo, antes estacionado, começou a abrir e dar passagem ao bebê que decidiu descer. Logo depois, fiz um toque e vi que o bebê já estava bem baixo e o colo apagado e fiquei quietinha na minha. A médica ia fazer outro toque e eu disse estava evoluindo bem e o bebê havia descido mais. Com isso, ganhei mais tempo para a Helena (o bebê) fazer seu trabalho sossegado. Às vezes bradicardizava, mas voltava bem das contrações.

Perguntei a Sofia se queria ficar de cócoras ou outra posição e ela não quis. Ficou agressiva, como qualquer mamífero parindo sob holofotes. Quase bateu na cunhada quando foi fotografar, queria quebrar a máquina e ameaçou gritando não fazer mais força se ela mexesse na câmera!

A obstetra não resistiu a fazer outro toque e disse “já esta aqui embaixo!”. Eu perguntei “Vamos fazer aqui?” e ela concordou com a cabeça. Deu-me as compressas para proteger o períneo e chamaram a pediatra...A bebê coroou. Protegi o períneo na saída da cabeça e a emoção era tão grande que até esqueci de proteger durante passagem do corpinho. Tentei sutilmente impedir que a obstetra puxasse, mas ela não entendeu. Deve ter pensado “Como assim não puxar?”.Ela então veio, linda! Quase 2.800g. Não chorou rápido tamanha paz, mas o apgar deve ter sido bem alto, dava pra sentir. Logo ela veio pro colo da mãe aliviada.À cuidadosa inspeção, uma pequeníssima laceração superior que pedi a obstetra para não suturar e ela aceitou. Um períneo, na prática, íntegro que voltava rapidamente ao seu estado habitual.

Quase simultaneamente uma outra parturiente começou a parir. Coloquei-a de quatro e ela não queria sair desta posição, mas a pediatra pediu para levá-la a sala de parto para aspirar (a 2 metros de distância) porque tinha mecônio (como assim???). A obstetra contaminada com a humanização não pareceu muito afim, mas acabou levando. O períneo estava bem mais rígido, mas eu pedi para não fazer episio mesmo assim. Sei que não devia, mas tentei “amaciar” com os dedos, porque sabia que laceraria naquela posição horrível da mesa de parto. Então o bebê nasceu sem cortes provocados, com uma laceração facilmente suturável (que durou uns 15 minutos). O marido estava na sala e ficou muito emocionado. A nova mamãe chorava de emoção. O mecônio, como eu já esperava não fez mal algum ao filho e ele veio rápido para os seus braços.

Falei à obstetra que eu precisava ir porque já estava tarde e meus seios estavam cheios de leite. Ela agradeceu muito a minha ajuda. E o legal é que eu realmente senti esta honesta e surpresa gratidão.

Voltei à Sofia para me despedir. Ela também me agradeceu muito... Tinha aquela cumplicidade no olhar que se entende tudo, tão peculiar entre nós. Combinei de voltar no dia seguinte e dei-lhe os parabéns.

Fui embora de alma lavada. Minha mãe estava em minha casa de passagem e pouca atenção pude lhe dar. Acordei cedo no dia seguinte para voltar ao trabalho, afinal tinha sido apenas uma segunda feira agitada. Fui vê-las e mais uma vez demonstrou sua gratidão, pediu desculpas se tinha feito algo errado e respondi que era eu que devia agradece-la por ter permitido fazer parte daquilo.

Me traz muita confiança ter este tipo de atuação, mas o que mais satisfação é poder dar as pessoas as ferramentas que necessitam para se empoderarem de seus destinos e fazerem sua própria historia. Eu não estava lá por interesse. Nem mesmo recebi pelas horas que fiquei ali. Mas sei que foi um trabalho importantíssimo. Devagar, comecei a ajudar outras mulheres a parirem com dignidade e seus bebes a nascerem mais felizes. Acredito que assim, posso ajudar a construir um mundo melhor. Mas neste caso específico, evitando seja o corte da cesárea, seja o corte da episio, evitei mais uma violência contra àquela mulher. Um dia, aquela vagina e aquele anus tinham se tornado uma coisa só. Mas desta vez, ela estava intacta. Aquele períneo, um dia violado, desta vez estava perfeito. Conseguimos fazer seu bebe nascer sem machucar aquele local, antes desfigurado pelo estupro. Sua intimidade desta vez foi preservada. Conseguimos trazer seu maior bem ao mundo sem violá-la mais uma vez.
Talvez você não entenda o que estou dizendo e eu não sei se consigo explicar o que sinto. É difícil compreender sem passar pela situação e sem ter noção da sutileza sexual feminina. O que posso dizer é que foi o compromisso pessoal de uma mulher com outra. Eu sei que, se não estivesse lá, a Sofia sofreria outro corte, mas minha participação deu a ela um parto seguro, intenso e humanizado, não simplesmente um evento médico sem emoção. Zelar pela sua intimidade era essencial para a sexualidade daquela mulher e nosso mérito está em termos vencido esta pequena batalha. Mas ter ajudado foi essencial pra mim.

Estou muito feliz por ter feito parte da historia desta admirável mulher. Não só mãe e bebês estão vivos, mas também estão íntegros, apaixonados e cheios de dignidade.

Este é meu maior trabalho e minha doce vitória.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Tecnologias...

Os argumentos contra o Parto domiciliar é que são ultrapassados e ilógicos! Dizem que a tecnologia deve ser usada quando necessária, mas não dão a mesma ênfase a evitá-la, quando desnecessária. Negar o PD é contradizer (sem bons argumentos) uma história de indiscutível sucesso.

Devemos a ele a existência da humanidade. A ele e às parteiras tradicionais, antes chamadas de “bruxas” e agora de “curiosas”. Realmente... bruxas e curiosas sabem demais. O parto natural tem lá suas "tecnologias". Não dispõem de objetos metálicos protrusos, maquinas que fazem “PIP”, focos luminosos ou técnicas sofisticadas para fazer o que a natureza faz há milhões de anos sem muito esforço. Mesmo assim é uma "tecnologia" pra ninguém botar defeito.

Nossa sociedade medicocêntrica e pouco crítica crê em corpos altamente defectíveis, incapazes de resolverem-se por si só. Com medo de uma dor que pode nem existir, pedimos, negociamos, exigimos e barganhamos uma cirurgia arriscada para a retirada de bebês imaturos por meio de um corte em nossos sagrados úteros, sem sequer questionar. As vezes, sem parar prara pensar em como o bebê se sentirá sendo extraído do único mundo que conhece até então, antes de seu tempo. Uma atitude que tem como base o que é aceito culturalmente, que normalmente deixa a lógica e a ciência de lado.

A mulher diz que “quer” um parto normal, mas não se informa sobre a taxa de cesárea de seu obstetra tem uma chance imensa de ter uma cesarea. Normalmente se recolhe e se submete por medo. Simplesmente coloca sua vida e de seu bem mais precioso nas mãos de um médico (um ser humano como eu e você) e o responsabiliza pelo sucesso ou fracasso do procedimento que ele escolher e fizer. Não duvida, não critica e aguarda uma indicação médica no horário comercial para enfim “precisar” de uma cesárea salvadora. E tudo bem porque afinal, mãe e bebê estão vivos... Não é isso que importa?

O irônico é que, enquanto a OMS fala em 15% de cesáreas (no máximo), sendo o ideal de 8 a 10%, quase todas as mulheres com planos de saúde que conhecemos tiveram "indicação" clínica para fazê-las.

Ou demos o azar de conhecermos exatamente todos os 15% ou grande parte das mulheres está sendo enganada passiva e facilmente.

As cesáreas realmente necessárias são valiosas, mas jamais deixarão de ser seriamente perigosas só porque a sociedade se acostumou.

Por que não devolver à cesárea seu caráter de recurso médico? Sem preconceitos, conveniências e sem vaidades...

O bebê tem poucos desejos no útero materno, mas é certo e comprovado que tem apego á mãe e à vida. Se pudesse se expressar, nenhum bebê escolheria nascer assim, se lhe fosse dada alternativa. Simplesmente porque não é de sua natureza!... Qualquer um que já tenha visto uma cesárea com sensibilidade, percebe isto. É só olhar.

Esta forma de nascer pode trazer à criança insegurança, medo e até desespero. Ele é rapidamente mostrado à mãe e levado aos primeiros cuidados, longe dela.
Sua primeira percepção não foi materna, mas médica. O fato de não querer pensar nisso, não faz com que não aconteça. É obvio que este modelo de assistência ao parto já começou a rolar ladeira abaixo. Não agüentaremos por muito tempo.

As conseqüências deste afastamento mãe-filho nos primeiros instantes de vida, acompanhados de partos traumáticos ou cesarianas forçadas, estão se revelando mais tarde na sociedade.
Somos ativistas. Nem todo mundo precisa ser. Se você pelo menos tomar um rumo diferente, por sua decisão, já terá valido a pena. Como diz Odent, para mudar o mundo, precisamos mudar a forma de nascer.

Acredito que hoje, o parto domiciliar seja a única forma de reunir todos os componentes necessários para nascer feliz. E começar a mudar o mundo. De fato.

Mulheres de Princípio

Observando fotos das mulheres da rede Parto do principio, chego à clara conclusao de que sao realmente mulheres diferentes do usual. Nem melhores nem piores, antes que os críticos de plantao levantem a voz. Mas que sao diferentes são. Nao so pelos nomes, geralmente curtos, de significados profundos que dão aos seus filhos. Kael, Cora, Lis, Luigi, Luna, Loup, Liv ou mesmo Klauss e Aglaia!... Alias, nomes tao expressivos não sao mais do que o reflexo do que todo um comprometimento pessoal e especial com o parto. São mulheres diferentes entre si, entretanto com algumas semelhanças básicas. São sempre curiosas, corajosas, abertas, intensas, livres, femininas, intimamente ligadas aos seus filhos e sua educação e... Iinteressadas em dar boas vindas a eles em seu primeiro momento de vida. Outras mulheres tambem têm essas caracteristicas, embora nao tenham atentado para o quanto o parto natural é seguro e essencial npara o relacionamento mâe-filho. E há várias de nós por aí que ainda não descobriram que comungam do mesmo princípio. Quem sabe você! Alguns nos chamam de exageradas. Dizem que o parto nao é lá essas coisas e eles têm razão: é muito mais do que "essas coisas"! O parto nos tocou, porque nao é um evento arriscado ou uma passagem corriqueira. Não é assim que deve ser. O parto pode ser somente a forma como o bem mais precioso, o filho, vem ao mundo. E para outras, nós, é um divisor de aguas, um momento estritamente sexual, profundo e inexplicãvel como um orgasmo. Pena que nada que se possa falar, possa fazer outras mulheres - como é o caso de voce que está lendo isso agora - pensarem como nós, sobre a magneficência que um parto pode ser. Eu realmente gostaria de poder traduzir em palavras o sentido que meus partos fizeram em minha vida. Eu queria poder te comover, te fazer sentir como eu me senti. Queria poder te tocar para, pelo menos por um instante, voce divagar sobre o que pode ser um parto na vida de uma fêmea mamífera, que é simplesmente o que somos quando trazemos nossos bebês ao mundo. Mas o que eu poderia fazer antes que voce me contasse mais uma historia tragica de parto normal ou mais uma historia de como a cesárea "salvou" sua mãe, sua irmã ou voce e seu bebê da morte? Apesar desta cirurgia ter sido criada para isso, infelizmente, não é o que ela tem feito usualmente em nosso país (como sempre na contramão dos desenvolvidos). E você pensaria seriamente a respeito, se eu te desse mil explicaçoes científicas? Eu as tenho, mas quem as quer? Ou vai optar pelo medo como ja vi tantas outras antes de você? Eu e essas mulheres faríamos qualquer coisas para mostrar que o parto é uma etapa essencial da educação que daremos aos nossos filhos. Ou correriamos atras dos artigos cientificos que mostram claramente que não somos malucas, mas... Adiantaria? Além disso, o que nos motiva é algo além disso e isso nao esta escrito em lugar algum... Só em nossos corações. Se você e alguns médicos puderem compreender esse outro nível, essa coisa além que é um parto natural, jamais nos questionariam sobre riscos e a possibilidade de cesárea por opção. Se a a ciência e o sagrado sobressaíssem ao preconceito, a verdade emergiria e o pensamento da sociedade seria bem diferente. Nós somos mulheres que não correm da dor, se ela for trazer ainda mais força. Que desafiam o sistema por amor. Isso nao se ensina. A ciência é o alicerce do do parto natural, Não é perigoso, não é inseguro, não é coisa de bicho grilo natureba: é coisa de mulher. Somos fortes, frágeis, esposas, mães que lutam por seus ideais, desafiando toda a maré. Mulheres que não vêm problemas em serem meio bicho... Somos mulheres de fibra, maternais, apaixonadas e cheias de vida. E muito mais... Mulheres de princípio. *Uma homenagem a rede Parto do Princípio.

Decisão

É tristemente comum, uma mãe dizer que tentou um parto normal ou amamentar e não conseguiu.
Infelizmente para conseguir estas coisas, querer somente, não basta.

É possível ter estas experiências, mas é muito difícil sem apoio familiar– do pai em especial - e dos profissionais que a rodeiam.

Se a mulher acreditar que não tem passagem, que seu bebê é grande demais ou que uma cirurgia pode parir melhor do que ela mesma, se submeterá facilmente a uma cesárea “necessária” e de urgência (porém marcada); ou concordar com seu pediatra que seu leite não esta sustentando, que seu leite faz mal ou que a vaca tem melhores condições que ela para amamentar seu bebê humano, se deixará levar pelas maravilhas paliativas de chupetas coloridas e mamadeiras engraçadinhas...

Se esta mãe não acreditar em si mesma como a melhor provedora do melhor nascimento e alimentadora biológica de seu filho, como ela conquistará a autoconfiança necessária para fazer todo o resto?

Parir e amamentar são os primeiros grandes desafios da mãe moderna. Os profissionais, recebem pouco pelos procedimentos e se acomodaram em cirurgias agendadas, outros “acreditam” que as mulheres não são perfeitas para prover seus filhos em seus primeiros anos de vida, não estimulam as coisas naturais.

As mulheres, por sua vez, não confiam em si mesmas e se apóiam completamente em maldizeres alheios sobre sua capacidade inata e divina de ser mãe em todos os sentidos.

Não adianta ser vegetariano, entrar numa churrascaria e querer ser bem servido. Você pode até se alimentar, mas não vai poder exigir muita coisa. O mesmo acontece com as mulheres que querem parto vaginal e se consultam com profissionais de histórico alto de cesárea.

Há obstetras que desencorajam o parto, desde a 1ª consulta. Que indicam cesárea com falsas justificativas clinicas, submetendo crianças à prematuridade, às difíceis UTIs-neo e os pais, a um sofrimento desnecessário.

Seu assistente de pré-natal de parto é um prestador de serviços, como seu advogado e seu arquiteto, merece tanto respeito quanto qualquer outro profissional. Se você se sente enganada ou se a casa que o arquiteto não tem , são responsabilidades profissionais e você tem o direito de reclamar e exigir seus direitos em qualquer situação. Se não somos atendidos, se o profissional não têm a prática adequada ao desejo que temos, trocamos! Não tentamos convence-lo do contrário! Por que um obstetra, que é um profissional responsável, teria o direito de te submeter a uma cesárea sem você querer?

As pessoas fazem o que são treinadas para fazer... Então, se quer um parto normal, reflita e vá atrás de alguém que atenda à sua necessidade. Logo. Escolher uma pessoa assim para FAZER seu parto, não tem como dar certo e isto sim – não o parto em si – gera frustração.

Quem quer um parto empoderador, tem que começar, procurando um profissional que pense semelhante. Que a deixe a vontade, que não tenha mil compromissos, uma pressa inexplicável, enfim, que seja disponível. Que acredite que, no máximo, AJUDARÁ no parto, mas não que irá fazê-lo por ela. Tem que estar em sintonia, que seja, antes de tudo, um parceiro e, em algum nível, até amigo. Pode parecer exagero, mas se não for desta forma, esta futura mamãe acabará com o coração partido numa cesárea ou num parto difícil e cheio de intervenções desnecessárias... O que também atrapalhará a amamentação, porque, sem a ocitocina biológica do parto e cheia de dor pós-cirúrgica, seu leite demorará mais a descer e terá dificuldade em se posicionar. Tem tudo a ver.

As mulheres que têm cesáreas podem amamentar, mas há uma dificuldade a mais. Isto é, inclusive, uma orientação do Ministério da Saúde: incentivar o parto para, dentre muitas outras vantagens, facilitar a amamentação.

A mulher precisa da segurança que a capacidade de parir e amamentar traz. Isso não é pouca coisa nem é besteira.

Então, para começar a conversa: procure o apoio do profissional que tenha a ver contigo! Não espere milagres! Faça o milagre acontecer. Não caia em qualquer conversa. Procure outras opiniões, leia, vasculhe. A informação é muito mais fácil hoje em dia e nunca é demais. Basta procurar no lugar certo. Tenha sempre em mente que a cesárea não foi criada para ser uma opção, porque é um ato médico e agressivo, o último recurso. O parto normal não dói tanto assim (a menos que seja cheio de intervenções) e, além de existirem recursos para alívio, há mulheres que nem sentem dor. O parto normal natural também não desfigura a vagina nem atrapalha sua vida sexual, pelo contrário! Às vezes deixa a mulher até mais relaxada com seu próprio corpo, assumindo melhor sua sexualidade. Esta é uma experiência bastante relatada entre as mulheres que pariram naturalmente.

Amamentar e parir não é só legal, mas fundamental. Acredite que pode, procure o apoio, se prepare e vai acontecer. Seu corpo é perfeito. Você é capaz de tudo que quiser e estas são oportunidades únicas de experimentar sensações deliciosas e que você passará 2 ou 3 vezes, no máximo, em toda sua vida. Faça valer a pena. Porque, cá pra nós... Vale muuuuiiiito!

Se quiser, depois volte para contar como foi. Há vários grupos na Internet que podem ajudar. As verdadeiras indicações de cesárea são muito restritas. Não passe os melhores instantes de sua vida deitada e anestesiada sem necessidade, por favor!

E quando for necessário, seu profissional de confiança e seu coração vão saber e compreender muito bem, sem críticas e sem inseguranças o melhor caminho a percorrer. Mas a decisão de desejar é intransferível.

Pra que parir?

Muitas pessoas que vêem toda esta movimentação feminina e profissional pró-parto normal nos perguntam como pode ser melhor ter um parto demorado, dolorido e improgramável, do que uma cesárea rápida, anestesiada e com dia e locais previamente marcados, “sem” surpresas.
Como se é tudo apenas a forma de trazer a criança do útero pra cá fora? Como pode ser mais emocionante se ser mãe é ser mãe, independente da forma como o bebê nasce?!

Não vou nem tocar no aspecto do risco meramente físico, porque me recuso a acreditar que a maioria das pessoas informadas escolheria cesárea, que é a opção de maior risco. Não deve ser tão comum uma mulher verdadeiramente instruída quanto às possíveis conseqüências e livre de preconceitos escolher uma via de parto que proporciona a si mesma e ao filho mais riscos de doenças e morte.

É obvio que há um equívoco social tendencioso pró-cesárea, o vulgo preconceito. Se a escolha da cesárea estivesse diretamente ligada à informação, as norueguesas, dinamarquesas, japonesas e suíças não escolheriam o parto normal> Nesses países temos as mulheres com melhor qualidade de vida do mundo, as mais ricas, as mais inteligentes e saudáveis, respectivamente. E em todos eles, a taxa de cesárea é menor que 15% contra nossa media nacional de 30. Mas no Brasil, um país lindo e diversificado, mas também subdesenvolvido, cheio de preconceitos – e peculiaridades – tinha que ser diferente.

Aqui supervalorizamos a tecnologia descriteriosa. Como se, em qualquer situação, o uso indiscriminado da tecnologia significasse qualidade. "Melhor pecar por excesso".

Menosprezamos nossas parteiras, cujas mãos trouxeram ao mundo toda nossa ascendência. Diminuímos a sabedoria popular por papel e carimbo. Trocamos os milenares chás por comprimidos sem maiores questionamentos, desde que o desconforto passe. Mesmo que a paz seja momentânea. E cara. E escolhemos a cesárea... Para não sentir nada. Escolhemos o remédios... Para não sentir nada. Escolhemos a ignorância... Para não sentir nada.

Eu quero sentir tudo. Eu vim a este mundo para sentir. Para fazer a diferença. Não para viver anestesiada nos instantes mais significativos da minha vida, não para ser mais uma. Vim para amar, admirar, encantar e me encantar, comover e me comover, para chorar e as vezes ate para me entristecer, me acabar e depois dar a volta por cima. Viemos para muitas coisas, menos para não sentir, não nos entregar. Viemos a este mundo para sermos humanos, gente e mulher.

Não faz sentido cantar “o acaso vai me proteger...” e temer cada surpresa, cada susto que se leva com medo de qualquer coisa que se mova. Ignorando as complicações corporais de uma cirurgia como a cesárea, ainda temos as desvantagens psíquicas, como o aumento da probabilidade de desenvolvimento de psicose e depressão puerperal e redução drástica do sucesso da amamentação.

A mulher operada dificilmente dará o primeiro banho em seu filho e terá dificuldades ou talvez nem possa realizar outros primeiros cuidados com o bebê afrouxando o vinculo ainda mais. A mulher que se submete a cesárea (com ou sem necessidade), pode estabelecer uma relação tão boa ou melhor com o filho do que a que pare de fato. Mas ela não poderá recorrer aos mesmos fatores instintivos/hormonais comprovadamente só liberados após o parto vaginal.

A mulher cesareada acapa precisando lançar mão de outros recursos peculiares à especie humana como o desejo consciente da maternidade e a vontade de realizar outras atividades maternas, como a amamentação, por exemplo. Porque a ligação biológica já lhe terá sido furtada.

Pra que parir? Eu poderia responder que é mais seguro simplesmente. Entretanto, é para trazer nossos filhos ao mundo de uma forma menos violenta que deu certo por milhões de anos. Seria também romântico e religioso afirmar que foi a maneira pela qual Buda, Maomé e Jesus nasceram. Mas hoje em dia, quem se importa?

De qualquer forma parir é um dom divino. E como todos os dons divinos, não podemos deixar que tirem isso de nós. Principalmente quando não é por razões tão nobres.

Tantos leigos e profissionais nos chamam de radicais por darmos preferência ao parto normal. Nós e a ciência, os radicais. Mas estamos apenas sendo corretos. Não pedimos nada além do que é certo, seguro e ético. O contrario disso é que é errado. O parto não tem que doer, não tem que fazer sofrer, não tem que violentar. A luta é fazer o parto e o nascimento não se banalizarem. Fazê-los valerem a pena. Porque valem.

Segurança e parto domiciliar

As pessoas que são contra o Parto domiciliar sempre usam os mesmo argumentos: falta de tecnologia para o caso de algo dar errado.

Quando um leigo diz isso, fica muito claro que a tecnologia, em sua carapuça de ciência, substituiu o clero em quase todas os povos. Liderando ou oprimindo num jogo difícil de jogar, baseado, antes de tudo, medo. Jamais serão negadas as vantagens da tecnologia bem utilizada. Jamais.

Mas também não podemos deixar de criticar a dependência doentia que as sociedades promoveram, levando a excessos que nos limitam ou prejudicam ainda mais. Então, toda vez que uma mulher maldiz ou teme o parto natural/domiciliar esta simplesmente reproduzindo este conceito, geralmente sem qualquer reflexão. "Fundamentada" somente em mitos e pré-conceitos, construídos pela cultura capitalista hospitalocêntrica e tecnocêntrica.

Porém quando um técnico da área tem esta mesma fala, há muitas coisas por trás, inclusive medo - ou pavor - do que não é previsível. Mas há também corporativismo, falta de abertura ao novo/tradicional/fisiológico. Técnicos de saúde são formados para intervir.

Aprendemos as técnicas que dizem ser melhores do que a própria natureza e acabamos acreditando nisso. A maior parte nem tem a dimensão do dano genital que provoca, quando faz uma episiotomia. Acredita que está preservando um períneo e nunca pararam para pensar que períneos sadios precisam de proteção, não de corte. Mesmo uma incisão retilínea, planejada e calculado, como o de uma episio. Não se protege cortando!

Quando negamos o parto domiciliar, não estamos apenas negando os estudos internacionais favoráveis, mas principalmente contrariando toda uma história de sucesso que é o nascimento humano. Este bípede “racional” que quer intervir até no que já é perfeito.

A sociedade não tem o direito de maltratar as parteiras, porque é a elas que devemos nossa existência. É a esse conhecimento que desmerecemos por não compreender, que devemos nossas vidas. Sua sabedoria empírica e cheia de superstições ainda trazem ao mundo muitos homens e mulheres de bem.

Beira a ingratidão maldizer o trabalho dessas mulheres que quase sempre trabalham de graça, sem dia ou hora para descansar, em detrimento de tantos profissionais que, infelizmente, não perdem noites de sono nem um dia de suas férias, graças às suas cesáreas bem programadas e bem realizadas.

Dificilmente uma mulher não conseguiria parir se não tivesse acesso a um hospital. Dia desses, li um trecho de um estudo que diz que, se as mulheres em trabalho de parto fossem deixadas à própria sorte, mais de 92% pariria sem problemas. Ou seja, quase todas as outras (8%) paririam com muita dificuldade ou complicação. E nossa realidade mostra os hospitais particulares com 80 a 98% de cesáreas pelos motivos mais questionáveis. Ou seja, talvez tivéssemos menos complicações obstétricas e neonatais do que temos hoje, se as parteiras dominassem a assistência ao parto no Brasil...

O parto domiciliar planejado é seguro, não só porque sempre deu certo, mas porque ainda dá. Nossas parteiras modernas (médicas e enfermeiras obstetras) têm baixíssimos níveis de cesárea (não mais do que 5%) e nenhum óbito. E por compreenderem plenamente a fisiologia feminina, dominam bem técnicas que não atrapalham o trabalho de parto e utilizam muito bem a tecnologia só mandam para o hospital mães ou bebês que saem do padrão de normalidade.

Perfeito: tecnologia para quem precisa de tecnologia. Os letrados que não aceitam o parto domiciliar, geralmente têm alguma insegurança. Durante a formação o que se vê são partos longos e muito difíceis, cheios de intervenções. E, como o fisiológico não é respeitado, acabam tendo que lançar mão de ainda mais tecnologia invasiva (= intervenção agressiva). Geralmente, bebês que vêm de partos assim têm mais dificuldades em se adaptar aqui fora, um ambiente totalmente novo e que já o recebeu com cânulas, sacodes, esfregões, às vezes até tapa no bumbum, injeções com vacina e vitamina... E para coroar, levam-no para uma incubadora quente (mas tão fria...) para longe da única pessoa que conhece.

Vendo por este ângulo, é bem mais fácil compreender porquê recém nascidos vindos de partos tradicionais (mais longos e com mais intervenções) tenham proporcionalmente mais complicações na saúde (internações em UTI neo, tempo de observação prolongada, etc) do que os de partos naturais (domiciliares e casas de parto, por exemplo).

Então, esses profissionais acham o parto domiciliar tão perigoso, porque sua realidade hospitalar é totalmente outra. Mas pelo menos, conehcem bem o hospital que também serve para esconder inseguranças... Além disso, estas pessoas sequer participaram de um parto em casa para constatar que é uma realidade completamente diferente. Se assim fosse, teriam outras conclusões.

O fato é que não ninguém tem o direito de criticar ferrenhamente nada que não conheça ou que acha que conhece baseado em experiências de outros. Então só deve ser relevante a opinião do obstetra que já vivenciou um parto domiciliar. Senão, é especulação. Até porque os estudos dizem cada vez mais fortemente que, para gestantes de baixo risco, um ambiente agradável e o mínimo possível de intervenção é o ideal.

Aliás, os países que têm esta política “coincidentemente” também tem os melhores indicadores de saúde materno-infantis do mundo. Isso deveria ser digno, pelo menos, de reflexão, não dessa rejeição preconceituosa e gratuita. Mas as mulheres logo resgatarão seus direitos e, principalmente, seu poder. Pleno e inalienável.

E quem esta remando contra a correnteza vai ter que mudar de rumo. Senão vai ficar pra trás.

Ministério da Saúde e ANS

Eu não poderia deixar de falar sobre ambos.

Se o Brasil esta para deixar de ser campeão amargo mundial em taxa de cesáreas, muito disso tem a ver com o MS e ANS, este segundo mais recentemente. As operadoras de saúde precisavam deste sacode para diminuir os absurdos índices de cirurgias de retirada de bebês sem nenhum critério médico sério.

Graças a Deus, à ciência e, naturalmente, aos órgãos de saúde internacionais, há base para tudo que dizem os humanistas há anos. A verdade está do lado certo, sempre. Se fossemos meia dúzia de gatos pingados sem apoio, com certeza este movimento já teria ido por água abaixo. Porque as tentativas de desmoralizar o corpo feminino e os que acreditam nele, não são poucas.

É claro que devo um capítulo especial às mulheres que não estão mais se contentando com qualquer coisa. Mas quis falar sobre estes órgãos, pois estão diretamente empenhados em diminuir a morbimortalidade decorrente de cesáreas desnecessárias e não-amamentação ao seio. Seria muito mais simplista se submeter às intervenções cirúrgicas que movimentam muito mais dinheiro. Ou se vender à tantas marcas de leites em pó... Fortificados, enriquecidos e até antiregurgitantes. Que propagam a falsa idéia de que, em algum nível, podem ser melhores que o leite materno...

Enfim, são vários profissionais muito dignos que encabeçam tais atitudes extremamente corajosas, alguns nem são da área obstétrica ou pediátrica, mas com profundo conhecimento de causa. Posso ser injusta, mas alguns nomes que me vêm a mente agora são, Daphne Rattner, Marcos Dias, Kátia Ratto, João Batista... Vou me lembrar de todos, mas são vários!

Obrigadas a todos vocês e - por que não dizer? – a todos nós profissionais compromissados com a vida em todas as suas formas.

Menos mãe

Ninguém é mais mãe nem menos mãe por nenhum fato isolado. Todas as mães (ou quase) fariam coisas inimagináveis pelos filhos, se fosse preciso... Coisas bonitas ou desconsertantes, justas ou ilegais, honestas ou abomináveis. Matariam e morreriam; enganariam ou falariam a verdade; se prostituiriam ou trabalhariam á exaustão, qualquer coisa.

Por este motivo, ninguem é menos mãe por precisar trabalhar ou porque errou ou porque não amamentou (por escolha ou falta de informação) ou porque teve cesárea sem indicação relevante (tanto faz se por desinformação, preconceito ou opção).

Nada sem um contexto quer dizer coisa alguma! Boa mãe é aquela que faz tudo que acredita ser bom para o filho. Se melhora a cada dia, aceita novas idéias e repensa velhos conceitos. Analisa, reflete. A boa mãe busca o conforto ou o aprendizado ou até mesmo permite ao filho errar. Se entrega ao trabalho eterno de amar e educar. E de alimentar, vestir, aliviar a dor e fazer sentir bem.

Quem pare não é mais mãe do que quem faz cesárea. Mas uma mãe que se prepara durante a gravidez com uma boa alimentação, exercícios regulares, que se dedica à amamamentação exclusiva, se informa sobre a melhor forma de trazer seu filho ao mundo, que lê, que deseja ter seu bebê na segurança do natural, da pouca intervenção, do que é científico... Essa mãe é igual a que não está nem aí pra nada?

Não estou falando da mãe que não tem escolhas, nem da que estava tendo outros problemas sérios e não pôde se entregar mais do que gostaria. É o que disse, tudo precisa ser analisado dentro de um contexto.

O que acredito mesmo é que ninguém tem o direito de tirar um filho de uma boa mãe... Ou roubar-lhe a maternidade se ela quiser vivê-la plenamente. Nem numa cesárea, nem numa lata de leite, nem na lei dos homens

Eles já me visitaram