- O parto Natural e humanizado de verdade - A maneira segura e emocionante de ajudar mulheres trazer crianças ao mundo

sexta-feira, 10 de julho de 2009

“Parto” Cesáreo

O que se esconde por trás da expressão “Parto cesáreo”?

Para compreender isto, primeiro temos que esmiuçar ambas as palavras, isoladamente.

Há 50 anos, se fosse perguntado a uma mulher o que a parteira faria se o parto não saísse como o planejado, certamente ela não diria que faria uma cesariana. Ela simplesmente confiaria que tudo sairia bem e teria fé que Deus guiariria as mãos de sua parteira.
Simples assim.

Claro que não podemos exigir que uma sociedade cega dessas, descrente de tudo que não se possa ver, leve isto em consideração. Mas é necessário refletir sobre o porquê a história das parteiras ser de tanto sucesso e porquê a mortalidade materno-infantil não caiu com o advento da dita “tecnologia”. Que, por sinal, veio para "salvar" as poucas que a natureza não conseguia e, ao invés disso, foi utilizada indiscriminadamente, o que acarretou sérios problemas que todos já conhecemos. Então que segurança é essa que não dá resultados? A segurança não deveria advir dos próprios resultados?

Isto porque a conversa até entao é somente bem estar físico, porque se houver uma avaliação integral, incluindo a humanização,a comparação é descrepante.

Então para curar a ferida de uma cesárea e de tudo que ela implica, junto com a cicatriz dão também o rótulo “Parto cesáreo” para que todos sem sintam mais confortáveis dentro da frustração. A mulher porque desejou, o médico porque não correspondeu.

Parto é processo. Parto é como se chamava há milênios e cirurgia é outra coisa. As pessoas não são mais nem menos por terem nascido ou se submetido a uma cesariana, mas não é um nome errado para o procedimento que vai curar a ferida.
Cesariana é uma classificação para uma operação, um procedimento médico, uma medida extrema para uma situação extrema. Parto em hip´´otese alguma é isso.

Digo e repito: as cesáreas são importantes não sô para salvarem vidas fisicamente. Reconhecemos a importância de cesariana até quando não existe um risco de vida claro. Quem vive no campo de batalha sabe disso.

A questão é que as feridas não são curadas com palavras amenizadoras, mas com reflexões e atitudes. Colocar panos quentes jamais resolverão as questões pessoais que uma ferida dolorida implica.

Não existe “parto cesáreo” tanto quanto não existe o cultuado jargão “menos mãe”. Existem, sim, pessoas que passaram por cirurgias - por desejo, necessidade, equívoco ou enganação - para terem seus filhos. Mas isso foi o que a vida ofereceu naquele momento, por alguma razão. Razão individual e intransferível. Ficar triste com quem aponta um problema não é suloção.

Não fiquem magoadas. São só palavras que precisam ser bem colocadas...
Não recuse informação, oportunidade nem a mudança.
Evite preconceitos, panos quentes e autocomiseração. É o espelho nu que nos mostra a verdade, não a pintura de uma bela paisagem.
O conto de fadas acabou, mas a culpa não é de ninguém.
A cura de uma cesárea não é só física, mas nós mulheres podemos lidar com isso e superar. Ainda mais depois que nos tornamos mães!

domingo, 5 de julho de 2009

De Cócoras

Para quem está acostumado, isso pode não ter o valor que tem para uma romântica, quase “novata”, como eu... Mas levando em consideração que 99% dos profissionais que assistem partos jamais fez algo parecido, até que estamos indo bem...

Há poucas horas ajudei uma jovem mulher a ter seu primeiro filho... Na cama da maternidade, acocorada, ela abriu passagem para ele finalmente nascer...

Poderia ter sido mais natural, mas como a internação foi um pouco prematura, pelo menos teve poucas intervenções: ocitocina e ruptura de bolsa já com o bebê descendo bem, mas, foi como foi e, mesmo assim, foi lindo...

Já estava com uns 8 de dilatação, quando “Renata” tomou seu último banho para aliviar as contrações, mas não parava de conversar. Me pediu para falar com ela e até a contar piada, porque assim a “dor não vinha forte”. Sua mãe, apenas 16 anos mais velha e com 3 partos traumáticos, ajudava como poucas vezes vi um acompanhante ajudar. Tão calma quanto a filha, ansiosa e paradoxalmente paciente pela chegada de seu primeiro neto.

Apaguei as luzes e enquanto ajudava, resolvi contemplar a cena. Renata se deitava apoiada em sua mãe, hora no chão, hora na cama e nos apertava forte.
Aqueles dois rostos coladinhos formavam uma bela silhueta. Renata levantava a cabeça e a deitava pra trás em cada contração. Queria gritar, mas eu pedia apenas que respirasse fundo e longo, lembrando que a contração já estava passando e a dor parecia assim diminuir. Era muito claro que se entrasse na onda das contrações, a dor amenizaria.

Entre silêncios e palavras de conforto, ela se deitou para avaliarmos. O bebê tinha descido mais. As luzes continuavam apagadas.

Pedi a Renata, há muito entorpecida de ocitocina, que viesse para os pés da cama e ficasse de cócoras, apoiada nos ferros. Ela temia o aumento da dor, mas lhe assegurei que o bebê viria, assim, mais fácil.

Ela respirava profundamente, quando começou a fazer força para baixo. Sua mãe, a doula perfeita permanecia calma. Renata dizia que havia algo saindo e toquei a cabeça do Bebê já se anunciando.

Renata ficou praticamente em quatro apoios e eu fui para trás para assistir o bebê. Com apenas uma luva em minhas mãos, vi sair a cabecinha. Puxei levemente e a senti presa. Dedilhei todo o pescoço e encontrei uma circular frouxa e a desfiz. Enquanto a mãe tirava fotos e chamava a equipe.

Mais uma contração e... Uma mãozinha junto a cabeça. Menino danado... Saiu lenta e facilmente. Chorou antes que suas pernas estivessem do lado de cá. Puxei mais um pouquinho e veio completamente... Todos então chegaram e que bela cena encontraram...

Eu bem-recebia o bebê com palavras que costumo entoar a todos que vêm pelas minhas mãos.

A mãe, agora avó, chorava contemplando “Que lindo!...” e eu dizia à Renata para deitar para levarmos o bebê até seu colo pela primeira vez. Só então o cordão foi cortado, uns 5 minutos após o nascimento...

A obstetra ria porque sabia que eu sempre quis conseguir fazer um parto assim e nunca dava. A pediatra é que não sei se gostou muito, mas prestou rapidamente os primeiros cuidados deixou o namoro mãe-filho começar a acontecer.

A placenta veio quase espontaneamente, depois de uma leve massagem, o que nem precisaria.

Pouquíssima laceração superior, inferior zero. Numa sutura rápida, durante a primeira mamada, selou-se aquela união.

As coisas demoraram muito mais do que pude descrever aqui. Partejar é antes de tudo ter paciência. Mas acredito que se deixarmos o milagre da vida acontecer, sempre atentos, ele acontece.

As fotos ficaram lindas e a Renata jurou que vai me dar!
Fiquei muito feliz por ter podido ajudar aquela, agora, mulher e aquele bebê a nascerem.
Dei-lhe um abraço, os parabéns e ela agradeceu. Sua mãe me disse “Você é uma escolhida de Deus”...

Ok, todos nós somos. Mas é preciso decisão e fé para fazermos um destino diferente.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Briga pelo Parto

A interdição da Casa de parto de Realengo e a luta pela reabertura foram longe demais.
E em vários sentidos.

Quem desejou ou procurou seu fechamento não esperava que as coisas fossem se desenrolar desta forma: audiência publica, passeata, reuniões e mais reuniões, processos, manifestações, abaixo assinado, união.

Como Enfermeira, pela primeira vez em minha vida, vi feliz COREn, Sindicato dos Enfermeiros e ABENFO juntas pela mesma causa.
Só um enfermeiro sabe o que isso significa...

Vi colegas enfermeiros e, surpresa, vi também médicos diferentes apoiando a escolha feminina de parir, acima de qualquer outro interesse.

Assisti a sensibilização e a manifestação de políticos, que jamais pensei se importarem tanto com as mulheres, comprando briga, se expondo...

Reencontrei professores e colegas de militância de longa data.. É uma delicia descobrir que existem outros companheiros que, como eu, não desistem.
Não desistirão nunca.

E as mulheres... Ah as mulheres! Firmes na exigência de seus direitos, enfrentaram seus próprios medos, depois os preconceitos e agora lutam pelo respeito às suas escolhas.

Ninguém esperava que o saldo fosse tão positivo!
O parto natural, em todas as TVs, promovido ao horário nobre.
E o maior ganho da história toda: militantes e mulheres, nos descobrimos muito mais fortes do que nós e eles imaginávamos.

Só consigo pensar no péssimo negócio para os opositores o fechamento da Casa de Parto. Se lerem jornais, assistirem TV ou se puseram a mão na consciência, a esta altura, já se arrependeram amargamente.
A única garantia é que eles não nos ignoram como querem fazer parecer.

O que acontecerá então é a busca de casais por suas opções de parto; as enfermeiras obstetras serão mais procuradas, porque então eles saberão o que esperar delas; os médicos realmente humanizados serão valorizados; e começara um movimento ainda mais intenso pela a abertura de novas Casas de Parto.

Um grande passo foi dado. O poder da visibilidade será traduzido em informação,e conscientização e a quebra da “patente” sobre o parto.

Este modelo anacrônico já começou a rolar ladeira abaixo. As donas dos corpos tomaram posse...
E nasce um novo paradigma.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Casa de Parto

Golpe de mestre. De uma fiscalização despretensiosa aparentemente de rotina, a escolha de muitas mulheres já tão sacrificadas pela natureza de suas vidas foi simplesmente colocada de lado, sobrepostas por outros interesses.

É uma lastima que uma questão profissional tenha terminado por prejudicar mais as mulheres pobres da zona oeste do que as enfermeiras, também mulheres, que lá trabalham.

A briga deixou de ser no campo das idéias, dos ideais e partiu, sem aviso e sem cerimônias, para o campo da apelação.

O que é muito contraditório, dentre tantas ironias, é que a Casa de Parto tenha sido aberta há 5 anos (5 anos!!!) funcionando da mesma forma até semana passada, quando finalmente conseguiram diagnosticar uma “irregularidade” (muito mal explicada) lá. Uma “irregularidade” estrutural que nenhum técnico até então viu. E mais: tão grave que nunca prejudicou ninguém que tenha parido ou nascido lá até hoje. Um verdadeiro milagre.

Ora, como qualquer instituição de Saúde, a mesma teve alvará para funcionar. Seus procedimentos nunca foram omitidos. Todos que precisam saber sempre souberam que lá não havia médicos nem centro cirúrgico. E por que surgiu isso agora? Lavanderia? Por favor!...

Também não é segredo para ninguém que qualquer hospital invejaria os números da Casa de Parto. Com muito pouca tecnologia, a maquina cara que move esta sociedade, os enfermeiros da Casa de Parto “ilegal” conseguem resultados muito melhores do que tanta tecnologia pôde trazer.

Mesmo assim esta não é somente a luta da tecnologia complexa, dispendiosa, recém-nata contra a tecnologia do cuidado, simples, milenar. É uma disputa de mercado, de dinheiro, de poder. É a batalha do masculino contra o feminino, desconsiderando tudo que não lhe convém ou que não pode compreender.

E quem perde mais nisso tudo não são as enfermeiras...
Não adianta esbravejar pela segurança das gestantes carentes de Realengo, porque são elas que precisam e pedem pela Casa de Parto. Lá encontraram tudo o que qualquer hospital deveria oferecer: conforto, confiança, paz e dignidade.
É por isso que elas perderão, aliás, já estão perdendo.

As enfermeiras arrumam outros empregos, começam até do zero em outro lugar. Mas essas famílias que sonharam e construíram idealmente seus partos... Estas vão ficar de lado enquanto lutamos. É uma perda imensurável.

Óbvio que esta perda não é permanente. Chegou-se num ponto, onde o modelo de assistência obstétrica vigente já não é mais tolerável para muitas dessas mulheres.

Acharam que a guerra era contra um bando de enfermeiras indefesas... E descobriram que atacaram a honra e o coração do movimento de humanização do nascimento deste país.
Não sabemos o que vai acontecer, mas nós todas juntas, enfermeiras, donas de casa, engenheiras e artistas, daremos um jeito.
Sempre damos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Acompanhantes de Parto

Na política e na prática de humanização, o acompanhante não pode faltar. Mesmo assim, a maior parte esmagadora das instituições hospitalares brasileiras insiste em manter esta norma quase pessoal de não permitir acompanhantes. Ou então restringi-lo a umas seletas situações, como um parto perfeito.

O acompanhante é um direito da parturiente. Não depende mais das condições do hospital, não depende mais de segurança profissional, não depende de vaidade ou achismos.

A lei não limita o acesso nem o sexo do acompanhante. Quem o indica é a mulher e ela não pode ter medo de retaliação, o que é um absurdo.

É engraçado que tenha que se fazer lei para isso. E o trágico é que não basta a lei ser criada para ser cumprida.

A humanização, pasmem, tem que fazer campanha e ir pra mídia para estas famílias começarem a ser respeitadas...

Os profissionais que temem acompanhantes tem seu motivo para temê-lo: insegurança. Não existe outro.
O que rola no imaginário profissional é cena clichê do pai desmaiando no centro cirúrgico ou na hora do parto. Ora, na pior das hipóteses se o marido cair, alguém o levanta, dá um copo d’água!... E quem tem experiência com isso sabe que não acontece assim.
Será que o dano é tão grande para que se evite a presença de qualquer acompanhante?

Profissionais que assistem partos com acompanhantes sabem que eles surpreendem a si mesmo e a todos com a ajuda que dão no trabalho de parto. Fora a mulher que se sente mais segura para relaxar e parir.

Mesmo quando estão receosos.

Existem aqueles que não concordam com esta teoria, mas isso tem muito a ver com sua postura diante da situação.
Se o profissional conversa, é educado, presente e explica o que está acontecendo, não existe porquê a família reclamar ou atrapalhar. Se o enfermeiro ou médico for a referência que esta família precisa, ela irá até ajudar. Isso é questão de lógica.

Ao não defender esta lei, esta se cometendo um delito e sendo anti-ético, já que sempre devem zelar pelo bem estar do cliente, não preservar seus próprios fantasmas.

O acompanhante tem direito de entrar num parto normal lindo, num parto normal com intervenções e inclusive na cesariana. Qualquer ambiente em que a mãe esteja, cabe a presença da figura que lhe der suporte emocional.

Além das vantagens diretas e obvias, a participação do acompanhante, em especial o pai, é fundamental para a família que nasce ali. Saber como as coisas acontecem, poder ver seu esperado filho pela primeira vez, ser cúmplice de sua mulher e chorar se quiser...
Isso tudo é tão óbvio que chega ser ridículo discutir...

As coisas vão mudar, têm que mudar.
Não dá pra falar em humanização com as premissas “Proibição”, “Rotinas” e, principalmente, sem sensibilidade para ver a beleza deste momento, por trás de procedimentos meramente técnicos.

sábado, 9 de maio de 2009

Give up

Eu não queria que existisse, mas enfim, existe um momento do trabalho de parto, se o parto não acontecer dentro de um limite de tempo ou esforço, em que a família desiste, a mulher desiste e depois o profissional desiste.

As vezes nós, profissionais que acreditamos no parto, nos deparamos com uma triste conclusão: “agora só eu quero parto normal”. E quando todo mundo já desistiu e sabemos que tudo ainda vai demorar muito, talvez seja o nosso instante de desistir também.

Apesar de todo investimento físico e emocional de um assistente de parto, nesta hora as certezas viram dúvidas, as dúvidas se tornam perguntas e as perguntas ficam sem respostas... E lutar sozinho não dá.

Isso não significa que foi tudo em vão. As pessoas vão até onde podem... E nós também.

Por onde vai nascer já não importa pra mais ninguém e o que se quer é o bebê.
Então eles nascem de cesárea e até nascem bem, porque não havia nenhum problema ou impedimento clínico para esperar mais, apenas emocional... Que, neste caso, é determinante.

E a surpresa disso tudo é que a gratidão também pode vir assim. O olhar cúmplice da mulher, a felicidade do pai, as lagrimas da mãe (agora avó!) o abraço do tio olhando nos olhos, dizendo que nunca vai esquecer o que fiz por eles aquela noite.

É bom saber que um profissional humanizado tem utilidade até quando as coisas não acontecem como planejado.

E venho casa também com a sensação de dever cumprido, com satisfação por ter ajudado mais um bebe a nascer em segurança... E que deixei aquela família um pouquinho melhor do que quando encontrei meses atrás. :)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Enfermeiros Obstetras...

Dia desses li que o “Enfermeiro Obstetra (EO) está ‘capacitado para ajudar o médico obstetra a realizar partos...”
Devo dizer que há vários erros nesta frase tão pequena...

O EO não “ajuda” o médico a “fazer” o parto. Primeiro porque num parto natural, nem o médico nem a EO deveriam muita coisa, senão observar o progresso e auziliar no alívio da dor, quando houver. Depois porque um parto, não raro, acontece com ou sem profissionais por perto. Vira e mexe alguém nasce em casa ou no meio do caminho, sem problemas.

O EO não "ajuda" médico. O EO é um profissional autônomo, não precisa de nenhum outro, a menos que haja indicação clínica de algumas intervenções. O que quero dizer é que nós podemos e devemos dar assistência pré natal e ao trabalho de parto a quem nos procura, sem depender de qualquer outra categoria, bem como os médicos não precisam de nossa ajuda para exercer sua profissão. Por outro lado poderíamos (e deveríamos) sempre nos ajudar.
Afinal, o que está em jogo é a saude e a satisfação das mulheres, ou não?
Apesar de não ser obrigação de nenhum dos dois, acredito que a parceria poderia ajudar, mas não é uma condição sine qua non...

Na verdade, esta frase foi utilizada para desabonar o trabalho de toda uma categoria, muito competente que apresenta ótimos resultados. É um absurdo que profissionais desmereçam o trabalho de outros, só porque não pertencem a mesma profissão, apesar de ambos estarem habilitados a exercer a obstetrícia básica, que poderia atender a pelo menos 85% de todas as gestantes e teoricamente igualmente comprometidos com a mulher e seu bebê.

E que o mercado não esteja acima dos interesses, escolhas e bem estar de nosso público.

Inegavelmente somos muito gratos aqueles colegas que não possuem esta vaidade, que ajudam, que pensam mais no bem comum do que no de uma categoria. Ás vezes é preciso mais do que sensibilidade. Sair da matrix é difícil, mas estes conseguiram, Enquanto mulher e enquanto profissional, tenho um carinho especial pro eles, porque graças ao excelente trabalho em equipe, muitas mulheres estão tendo o direito de escolher vivenciar plenamente este momento lindo, vivido tão poucas vezes na vida: o nascimento de um filho.

Obrigada ás mulheres e a vocês...

sábado, 28 de março de 2009

Parto: Um ato "médico"

Eu, como você,b achei que já escutado de tudo na vida.
É obvio que era de se esperar que alguns profissionais usassem mentalmente este argumento para justificar algumas praticas que já nasceram obsoletas como a episiotomia e o kristeller, mas ainda tão praticadas atualmente.
Mas eu juro que acreditava que isso fosse ser guardado internamente como um devaneio inofensivo. No entanto, creiam: isto não ficou somente na cabeça de alguém.

Nascer e parir são um ato médico. A vida, enfim, é um ato médico. Previsível, limitado, técnico.

Tudo bem que uma sociedade tecnocrática endeuse remédios e aqueles que os indicam. Mas ainda que exames laboratoriais sejam vistos como fundamentais e o toque ultrapassado, diagnosticar o nascimento humano como um ato profissional já é demais.

O argumento principal é a segurança dos “pacientes”, mãe e bebê. Mas infelizmente a defesa dele é tão parcial e pouco cientifica que chego a desconfiar de corporativismo. Os “colegas” e o território estão acima até das pessoas.

Seria ridículo se não fosse trágico.

O nascimento não depende de profissional para acontecer. Até as leigas cuidaram melhor do parto do que se faz hoje. O bom assistente de parto é primeiramente um excelente observador e requer imensurável sabedoria para saber quando intervir e quando não intervir. Na dúvida, deixe a natureza fazer seu trabalho de sucesso milenar e as chances de dar certo aumentam drasticamente.

Muito poucas mulheres precisam biologicamente de tecnologia para ter filhos. Cirurgias não podem ser encaradas com tanta simplicidade. Cortes vaginais, apertos na barriga e fórceps doem, machucam e ferem além das camadas de pele.
Mas simplesmente quem faz não consegue ver...

Parto não é um ato nem é médico.
O parto continuará existindo quando não existirem sequer mais profissionais.
Com esta mentalidade não é como evoluir na obstetrícia. Enquanto a mulher não for vista como a senhora de seu parto e o nascimento um momento único e decisivo para o ser que chega, jamais teremos segurança no parto. Jamais teremos paz.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Eu posso parir em casa?

Fico pensando nas dúvidas que devem rodear a mulher que deseja um parto o mais natural possível, mas não sabe se está pronta para tal.
Imagino que quanto mais imersa no sistema, mais difícil seja sair dele.
E a Matrix não perdoa seus desertores...

Primeiro, se há dúvidas, elas merecem reflexão: Eu quero? Por que quero? O quanto quero? O que espero de um parto? Por que? Quais são as histórias de parto que escutei a vida toda? Eu acredito que posso?
As respostas precisam ser muito sinceras.

Ter um parto domiciliar é uma escolha séria e quando a hora chega não pode haver ainda hesitação. As coisas têm que estar muito claras na Hora P.

Por este motivo, várias pessoas pensam em parto em casa, mas poucas vão até o fim.
Algumas dizem que é caro... É sim, mas é o preço de um parto hospitalar particular e várias pessoas têm partos hospitalares particulares. Se apertam daqui e dali e dão um jeito.
Quanto à segurança, qualquer pessoa que estude o assunto e conheça um hospital comum, verá que normalmente são ambientes muito contaminados e nem têm toda a tecnologia que a propaganda diz. E sinceramente raramente ela é necessária.

De qualquer forma, parto em casa não é brincadeira. Ainda mais porque há perseguidores nos moldes dos inquisição, aguardando nossas "blasfêmias médicas"!
Existe uma co-responsabilização muito grandes em partos domiciliares. Não existem vencedores nem perdedores, mas parceiros.

Para fazer esta escolha, é preciso estar seguro, ser auto-confiante, acreditar na natureza visceralmente.

Não é moda, não é besteira. É uma das decisões mais importantes da vida.
Mas não há nada pelo que tenha tido tanto orgulho quanto ter o poder de trazer os meus filhos pra mim...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Assistir partos domiciliares

Ontem duas mulheres cogitaram séria e claramente a possibilidade de parto domiciliar com minha presença.
Duas, no mesmo dia.

Pedi a ambas (separadamente) que pensassem nesta possibilidade como eu também pensaria.

Estou completamente convencida que o Parto natural domiciliar é a uma opção perfeita para gestantes de baixo risco que desejem um parto realmente fisiológico, livre e seguro.

Manifesta-se tanto a possiblidade da mulher (bastante real, diga-se de passagem) da mulher poder "escolher" a cesariana, um procedimento indiscutivelmente médico, mas veta-se abertamente a possibilidade da mulher escolher parir em casa, sem as tecnologias, que na prática mais atrapalham do que ajudam.

Ou seja, quando a escolha alimenta nosso sistema viciado e capitalista, podemos escolhê-la. O contrário disso é blasfêmia. Isso faz de mim uma imperdoárvel herege...

O fato é quando nós, profissionais convencidos da segurança do parto domiciliar, recebemos pela primeira vez este convite tão puro e corajoso de uma mulher, somos obrigados a mergulhar em nossa consciência para esclarecer algumas importantes dúvidas.
A primeira delas é "Será que estou preparado?"
Não é a questão técnica, mas a social.
Estou preparada para os comentários? Estou preparada para as críticas árduas e perseguições?
Se precisar remover para um hospital, minha cliente será discriminada?

Uma outra questão é: "Ela quer mesmo um parto domiciliar? E por quê?"
A maior parte das mulheres acredita que o parto normal hospitalar provoca as mesmas sensações de um parto em casa... O que faz esta mulher, em especial, ser diferente da maioria? De onde surgiu este desejo? É Inato? Como foi seu próprio nascimento?
Ela conhece o assunto e está segura de sua decisão?

No parto domiciliar, somos co-responsáveis. Não existe mérito nem culpa individual. Deve existir parceria, respeito e confiança incondicionais, antes de qualquer coisa.
Responsabilidade e verdade são as palavras de ordem.

Eu quero muito fazer. Não sei se o certo é descobrir minhas respostas primeiro ou fazer e responder depois, até com mais segurança por ter vivido a experiência.

O que sei é que Deus manda anjo para cuidar dos anjos e o melhor vai sempre acontecer.
O melhor pode não ser o que prepotentemente acreditamos e exigimos da vida.
Mas tão poucos estão preparados pra vida...

Sou uma alma rebelde aos olhos da sociedade. Sou avessa à maior parte dos dogmas impostos. Pouco importa á sociedade que meus ideais sejam pro bem, é mais confortável menosprezar o que não se compreende do que sequer pensar a respeito, para não correr o risco de cogitar mudar.

Há muitas e muitas pessoas esperando um Parto domiciliar dar errado para desgraçar toda a causa. E qualquer coisa que possa ser chamada de errado vai valer. Até mentira e preconceito já foram usados com este fim.

Me sinto na obrigação moral de ajudar outras mulheres a parir. É mais forte do que eu. Somos meia dúzia de confiantes alternativos num mar de medo e enganação perfeitamente aceito, e até apropriado, para esta sociedade.

Precisamos muito transformar as pessoas... Mas fica difícil com tantos remédios, aparelhos, confortos... É uma humanidade tão exagerada e sem fé...

Mas estes ideais são mais fortes do que eu e do que meus fantasmas internos...

Acabei de encontrar:
"Existem muitas razões para fazermos nossas escolhas com base no que os outros pensam e fazem. Primeiro, porque talvez nossa auto-estima não esteja tão alta. Segundo, porque temos dúvidas. Terceiro, porque nos preocupamos com o que os outros pensarão sobre nós. Para fazer as escolhas certas precisamos: (1) fortalecer o intelecto, tomando decisões precisas entre certo e errado, (2) desenvolver o auto-respeito, ao ter força de vontade para perseguir nossas escolhas. Cada situação da vida será melhor conduzida se fizermos a escolha certa no momento certo. É isso que nos faz mestres do nosso próprio destino!"BK Venkata, Choosing your destiny, The World Renewal, February, 2005

Acho que encontrei a resposta.

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